Conta de luz elevada desafia competitividade da indústria

Para especialistas do setor, modelo de formação de preço está desproporcional e deve ser revisto

11 de julho de 2026

Conta de luz elevada desafia competitividade da indústria

A conta de luz elevada no Brasil foi um dos temas do meet point “Energia na indústria: desafios, sinergia e visão de futuro”, do qual participaram Paulo Pedrosa, presidente da Abrace, Cleverton Borchardt, gerente de Geração de Energia da Camil, e Pedro Kurbhi, vice-presidente de Trading, Varejo e Planejamento Energético da Comerc Energia.

A avaliação dos executivos e especialistas é de que, embora o Brasil tenha uma das matrizes elétricas mais competitivas do mundo, consumidores e empresas pagam uma conta de luz muito mais alta do que deveriam.

O problema, segundo eles, não está no custo da energia em si, mas no acúmulo de encargos, subsídios e regras regulatórias que pesam sobre as tarifas.

Pedrosa diz que a formação das tarifas passou a incorporar uma série de mecanismos de proteção e subsídios que hoje já representam uma parcela significativa da conta. “O Brasil é um país da energia barata e da conta cara”, afirmou. “Esses mecanismos estão custando quase o mesmo que a energia em si.”

E os valores não ficam restritos apenas ao setor elétrico, já que o custo da eletricidade é repassado ao longo das cadeias produtivas, pressionando a inflação e reduzindo a competitividade da economia.

De acordo com Borchardt, a energia está entre os custos mais relevantes para empresas que operam com margens apertadas. “Um mês mal performado pode comprometer o resultado do ano inteiro.”

Por isso, segundo o executivo, a volatilidade dos preços dificulta o planejamento e aumenta a insegurança para investimentos.

Já Kurbhi destacou que as mudanças nesse modelo são importantes, pois, além da indústria tradicional, a chegada de novos grandes consumidores de energia, especialmente data centers e empreendimentos ligados à inteligência artificial, cria um momento importante para o setor.

“Esse é o novo eletrointensivo. O Brasil pode ser um player relevante nessa indústria, mas precisa resolver questões relacionadas a encargos, infraestrutura e custo da energia.”

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