Hemodiálise, restrições alimentares e acompanhamento frequente passam a organizar a vida dos pacientes e influenciam decisões que vão do trabalho ao convívio social
2 de julho de 2026
Milhares de pessoas que convivem com doenças renais graves dependem de tratamento contínuo para sobreviver. Isso significa não só abrir espaço para consultas, exames ou sessões de diálise, mas promover uma reorganiação permanente da vida.
Os cuidados acabam se tornando um elemento central do cotidiano, marcado por horários rígidos, deslocamentos frequentes, restrições alimentares, limitações físicas e desafios emocionais.
Graccho Alvim, médico e vice-presidente da Federação Brasileira de Hospitais (FBH), entidade parceira da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), diz que o acompanhamento contínuo ou diálise muda significativamente a vida do paciente.
“Além do aspecto clínico, ele passa a realizar sessões frequentes em centros especializados e, dependendo da região onde mora, pode precisar percorrer longas distâncias para ter acesso ao tratamento. Em alguns casos, a falta de serviços adequados chega a exigir mudança de cidade.”
O especialista afirma que o pacientes enfrentam desafios únicos. “O diagnóstico costuma ser demorado, e o acesso a especialistas e exames adequados ainda é limitado. Muitas vezes a confirmação da doença ocorre quando ela já está em estágio avançado.”
Outra questão importante é a dificuldade em encontrar profissionais familiarizados com determinadas doenças raras ou centros preparados para acompanhá-las pode representar um desafio adicional.
“A raridade da doença impacta diretamente o acesso a especialistas e centros de referência”, explica Alvim. “Dependendo da localização e da condição socioeconômica, os pacientes enfrentam barreiras importantes para conseguir acompanhamento adequado.”
Em uma rotina tão marcada por compromissos de saúde, qualidade de vida passa a significar mais do que controlar exames ou comparecer às sessões de tratamento. Manter vínculos sociais, preservar a saúde mental, contar com uma rede de apoio e continuar construindo projetos são aspectos fundamentais para sustentar o cuidado ao longo dos anos.
Para Alvim, a rede de apoio exerce papel decisivo na adesão ao tratamento e na qualidade de vida dos pacientes. “A família desempenha um papel fundamental. Muitos pacientes acabam se isolando devido às restrições impostas pela doença, e o suporte social se torna muito importante para enfrentar os desafios físicos e emocionais do tratamento.”
Clique aqui para ler a matéria completa, produzida pelo Estadão Blue Studio.
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