A tecnologia clínica que nenhuma IA substitui

Às vésperas de sua participação no Afya Summit, a geriatra Ana Claudia Quintana Arantes fala sobre humanização, inteligência artificial e o futuro da medicina

28 de julho de 2026

A tecnologia clínica que nenhuma IA substitui

A médica geriatra Ana Claudia Quintana Arantes (foto), especialista em Cuidados Paliativos e uma das principais referências brasileiras em humanização da saúde, será uma das keynote speakers do Afya Summit.

Durante o evento, que ocorre no dia 29 de agosto, em São Paulo, ela apresentará a palestra “Existe medicina sem humanização? A mais antiga e a mais negligenciada das tecnologias clínicas”.

O tema surge em um momento no qual a assistência à saúde nunca contou com tantos recursos tecnológicos para apoiar diagnósticos e tratamentos.

Mas, enquanto a inteligência artificial, os algoritmos e as novas ferramentas prometem tornar a prática médica mais precisa e eficiente, cresce a discussão sobre uma competência que acompanha a profissão desde sua origem: a capacidade de ouvir, acolher e construir uma relação de confiança com o paciente.

Em relação ao que nunca poderá ser substituído na relação entre médico e paciente, Ana Claudia diz que é a “responsabilidade de estar ali quando não existe resposta”.

“A inteligência artificial vai diagnosticar melhor que nós, e isso é uma boa notícia. O que ela não faz é sustentar o silêncio depois da frase que muda uma vida inteira. Não segura a mão”, afirma a especialista. “Quando uma paciente pergunta ‘quanto tempo eu tenho’, ela não está pedindo um número. Está pedindo que alguém fique ali com ela enquanto o chão desaparece. Isso não é processamento de informação. É testemunho.”

Sobre o futuro da medicina, Ana Claudia avalia que ele não ser decidido pela tecnologia que vamos ter, mas sim pelo que escolhermos fazer com o tempo que ela nos devolver.

“Vamos ter máquinas que diagnosticam melhor que nós. Isso está resolvido, é questão de anos. A pergunta que fica é o que faremos com as mãos livres. Se vamos usá-las para atender mais gente em menos tempo ou para fazer aquilo que nenhuma máquina fará: ficar”, completa.

Clique aqui para ler a matéria completa, produzida pelo Estadão Blue Studio, com patrocínio de Afya.