Estadão Blue Studio - Distribuidoras evitam desabastecimento de diesel no Brasil

Distribuidoras evitam desabastecimento de diesel no Brasil

Mobilização estratégica e financeira do setor protege o mercado nacional das turbulências geopolíticas globais

22 de junho de 2026

Distribuidoras evitam desabastecimento de diesel no Brasil

O abastecimento de diesel no Brasil continuou sendo realizado sem sobressaltos, apesar do cenário desafiador de 2026, com a Guerra no Irã.

Isso foi possível por meio de uma estratégia cuidadosamente desenhada pelo setor de distribuição, incluindo a mobilização de capital intensivo para assegurar o pagamento de prêmios elevados no mercado internacional.

Com o aumento de até 65% no valor do diesel adquirido no exterior, o custo adicional chegou a R$ 2,50 por litro em comparação ao que é cobrado nas refinarias nacionais. Isso pressiona o custo total do abastecimento, já que o Brasil não é autossuficiente na produção de diesel: precisa importar 30% do volume total que consome para atender à demanda nacional.

Em cenários de oscilações do mercado internacional de petróleo e do câmbio, as distribuidoras intensificam a adoção de mecanismos de proteção financeira que reforçam a robustez do setor e sustentam a previsibilidade do mercado interno.

É o caso do hedge, que cobre possíveis variações de preço e de câmbio ocorridas durante o longo ciclo da logística – um processo de importação de diesel leva, em média, 45 dias para ser viabilizado. Sem o hedge, a volatilidade do mercado global poderia ampliar os riscos da operação logística e comprometer a previsibilidade do abastecimento em todo o País, com danos a setores essenciais da economia brasileira.

Embora torne a importação de diesel mais onerosa, o hedge é um típico custo que não “aparece” para o consumidor final.

Ele se junta a uma série de investimentos extras realizados pelas distribuidoras para enfrentamento da conjuntura internacional, a exemplo da contratação de seguros e da ampliação emergencial da infraestrutura logística, com acionamento de mais navios e expansão do armazenamento.

Para blindar o Brasil durante a crise, o setor passou a investir também em estoques de segurança, suficientes para cobrir de 25 a 35 dias de consumo. Isso exige das distribuidoras um planejamento maior e eficiência operacional em uma logística mais complexa.

No caso da Vibra Energia, por exemplo, são mais de 2.300 municípios abastecidos, uma rede de 7.500 postos e mais de 10.400 clientes corporativos em setores como transporte rodoviário, agronegócio, geração de energia, hospitais e serviços essenciais que precisam de previsibilidade constante de fornecimento, o que torna o planejamento financeiro de longo prazo não apenas estratégico, mas indispensável.

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