Estadão Blue Studio - Terapia celular abre nova frente contra doenças hematológicas raras

Terapia celular abre nova frente contra doenças hematológicas raras

CAR-T utiliza células de defesa do próprio paciente para atacar tumores, mas custo e estrutura ainda restringem o acesso

11 de junho de 2026

Terapia celular abre nova frente contra doenças hematológicas raras

O tratamento de algumas doenças hematológicas raras e agressivas ganha novas possibilidades com a terapia CAR-T, mesmo com custos muito altos.

A estratégia utiliza células de defesa do próprio paciente, modificadas em laboratório para reconhecer e atacar tumores, e tem apresentado resultados em condições como mieloma múltiplo e leucemia linfoblástica aguda (LLA).

A CAR-T é considerada uma das abordagens mais avançadas da oncologia atual e representa uma nova alternativa para pacientes que já passaram por múltiplas linhas de tratamento.

O acesso, porém, continua restrito devido à complexidade do procedimento, à necessidade de infraestrutura especializada e aos custos envolvidos.

Nos últimos anos, a imunoterapia celular passou a ocupar um papel cada vez mais relevante no tratamento de doenças hematológicas graves. Em alguns casos, pacientes que antes tinham apenas opções paliativas passaram a alcançar remissões prolongadas após a infusão das células modificadas.

O processo começa com a coleta dos linfócitos T, células responsáveis pela defesa do organismo. Depois disso, o material segue para laboratório, onde passa por modificação genética para reconhecer proteínas presentes nas células tumorais.

No mieloma múltiplo, a terapia é desenvolvida para identificar proteínas presentes nas células cancerígenas da medula óssea e destruí-las de forma direcionada. Já na LLA, a técnica atua contra linfócitos B doentes, ajudando o sistema imunológico a reconhecer e atacar essas células malignas.

“Funciona como em filmes de ficção científica”, afirma Volney Vilela, coordenador de Hematologia e Transplante de Medula Óssea do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília. “As células são reprogramadas para reconhecer e destruir a doença.”

A principal diferença em relação aos tratamentos convencionais está justamente na precisão. Enquanto quimioterapias podem atingir também células saudáveis, a técnica atua de forma direcionada sobre alvos específicos do tumor.

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