Estadão Blue Studio - Distribuidoras evitam apagão logístico

Distribuidoras evitam apagão logístico

Mobilização do setor diante das turbulências geopolíticas é essencial para manter a normalidade do abastecimento de diesel

22 de maio de 2026

Distribuidoras evitam apagão logístico

A guerra no Irã, iniciada no final de fevereiro, impactou fortemente o preço global do diesel – especialmente em decorrência do bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo.

Com isso, agravou-se uma conjuntura já fragilizada pelo conflito no leste europeu entre Rússia e Ucrânia, origem de profundas mudanças nas rotas de escoamento dos derivados de petróleo.

As dificuldades logísticas levam à redução da oferta do produto no mercado internacional e, em consequência, ao aumento dos preços. Há um problema potencialmente bem maior, no entanto: o risco de desabastecimento.

Como o Brasil não é autossuficiente na produção de diesel, importa 30% do volume total consumido e a Petrobras zerou suas importações, as distribuidoras do País estabeleceram um robusto plano de ação para reduzir os riscos de um apagão logístico sistêmico, o que traria consequências nocivas a diversos setores vitais da economia nacional.

O setor tem mobilizado capital intensivo para assegurar o pagamento de prêmios altíssimos no mercado internacional, já que o preço do barril de petróleo tipo Brent chegou à faixa dos US$ 120, acarretando elevação de até 65% no valor do diesel no mercado internacional.

Para garantir a oferta interna e evitar a ruptura, as empresas brasileiras de distribuição são obrigadas a adquirir o combustível no exterior pagando até R$ 2,50 a mais por litro em comparação ao que é cobrado nas refinarias nacionais. Isso encarece o “blend” final (a mistura de custo entre produto nacional e importado) exigido para garantir a integralidade do abastecimento no País.

Além de lidar diretamente com a alta no preço do diesel, as distribuidoras têm realizado uma série de investimentos extras, que não estavam previstos e se fizeram necessários diante das circunstâncias. São aportes que envolvem desde a contratação de seguros até a ampliação emergencial da infraestrutura logística, com acionamento de mais navios e expansão do armazenamento.

Para blindar o Brasil durante a crise, o setor investe em estoques de segurança, suficientes para cobrir de 25 a 35 dias de consumo.

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