O servidor público Milton Alves Ferreira fala sobre os avanços das terapias e a esperança de que o acesso a inovações seja ampliado, melhorando ainda mais a qualidade de vida de quem convive com a doença
10 de março de 2026
O servidor público Milton Alves Ferreira (foto) conta que foi diagnosticado muito cedo, aos 4 meses de idade, quando uma tia – cujo filho tem hemofilia – percebeu um hematoma em seu peito e levantou a suspeita. Após realizar exames, foi constatado que o caso era de hemofilia A.
Ferreira ressalta que, naquela época, na década de 1980, ainda não existia o tratamento preventivo. “Então, sempre que tinha um sangramento era preciso ir ao hospital para receber o crio [crioprecipitado, derivado do plasma sanguíneo para repor o fator de coagulação]. Embora eu fosse muito pequeno, me lembro que algumas vezes tive perdas excessivas de sangue, que exigiam transfusões.”
No entanto, o cenário em torno da hemofilia mudou significativamente, sobretudo após a adoção de tratamento profilático (preventivo), instituído no Brasil a partir de 2011.
O país, aliás, é referência mundial nesse quesito, uma vez que as terapias para o controle da doença são oferecidas pelo Sistema Único de Saúde, o SUS, aos cerca de 14 mil brasileiros diagnosticados.
A hemofilia é uma doença genética causada pela diminuição ou total ausência de alguns fatores de coagulação, proteínas responsáveis pela coagulação sanguínea – e é caracterizada por sangramentos prolongados.
“Na hemofilia A, o tipo mais frequente, a pessoa tem uma mutação no gene que impede a produção do fator VIII; na hemofilia B, o problema está na falta do fator IX”, explica Gabriela Yamaguti, hematologista do Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Hoje em dia, os avanços da ciência propiciaram o desenvolvimento de medicações de aplicação subcutânea e com maior intervalo entre as doses.
“Tem agora uma classe que a gente chama de rebalanço, que em vez de repor o que está faltando, tira do outro lado da balança, tira a atividade anticoagulante”, destaca Gabriela. “Esses medicamentos são de aplicação subcutânea e a posologia pode ser toda semana, a cada 15 dias e até a cada dois meses. Então muda muito a vida da pessoa.” O acesso a essas inovações, entretanto, segue sendo um desafio.
Clique aqui para ler a matéria completa, produzida pelo Estadão Blue Studio, com patrocínio de Sanofi.
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