Conectividade é o ponto-chave para IA atuar no campo: para executivos do Grupo CNH, tecnologia pode aumentar eficiência e também sustentabilidade do agro brasileiro.
3 de julho de 2025
“Não dá para falar de IA sem dados – e sem internet não consigo obter os dados.” A frase de Paola Campiello, gerente de Soluções e Conectividade e Novos Negócios da CNH, resume bem um dos grandes desafios do grupo: a falta de internet nas propriedades rurais, essencial para o uso de inteligência artificial no campo. Com 34% das áreas agricultáveis do País online, o Brasil avançou bastante nos últimos anos na pauta, mas ainda tem uma série de obstáculos para destravar inúmeras oportunidades no agronegócio. “Com o uso de tecnologia, os ganhos podem vir na redução de uso de insumos ou na eficiência da operação, refletindo-se tanto na parte financeira quanto na sustentabilidade”, diz Leandro Conde, diretor de Marketing e Comunicação da Case IH na América Latina.
Na entrevista a seguir, os dois executivos da CNH, responsáveis por marcas como Case IH e New Holland, explicam como a emergente tecnologia pode ajudar em diferentes aspectos no campo, com especial atenção para a sustentabilidade.
Paola Campiello e Leandro Conde – Foto: Tiago Queiroz/Estadão Blue Studio
Paola: A conectividade é uma estrada. Não dá para falar de IA sem dados – e, sem internet, não consigo obter dados. Há sete anos, a CNH buscou entender por que o campo não se conectava. Na época, as máquinas já tinham tecnologia e telemetria, mas os dados não eram aproveitados. Criamos uma associação, a Conectar Agro, fizemos pesquisas e hoje temos um norte para entender o tema. Temos avançado bastante: em um ano, a cobertura de rede das áreas agricultáveis do Brasil subiu de 19% para 34%, graças a grandes produtores. É um avanço, mas aquém de outros países – a Alemanha está em 90%, os EUA em 70%. Além disso, há desigualdade: grandes produtores já têm tecnologia, mas os pequenos necessitam do apoio de políticas públicas.
Leandro: Uma das grandes novidades nos últimos tempos são as conexões via satélite, que permitem que o produtor resolva o problema de conectividade dele por conta própria. O satélite gera menor dependência de política pública e do investimento em grandes antenas, mas é uma solução complementar às redes 4G.
Leandro: O principal atrativo está na “fazenda conectada”. É um paradigma em que podemos mostrar ao produtor que, ao usar tecnologias, ele pode tomar as melhores decisões, no tempo certo e de forma rápida, para obter ganhos na sua operação. Esses ganhos podem ser na redução de uso de insumos ou na eficiência da operação, refletindo-se tanto na parte financeira quanto na sustentabilidade. Se ele tem uma máquina conectada, ele pode monitorá-la a distância. Além disso, nossas concessionárias também têm acesso às máquinas – se houver um aviso de erro, a concessionária pode entrar em contato em tempo real, fazendo o diagnóstico remoto e chegando até a propriedade rural já com a solução correta.
Leandro: A chegada da inteligência artificial transforma os infinitos dados que captamos com as máquinas em informação rápida e palatável para o produtor. Não adianta ele ter um monte de dados de forma desorganizada. Hoje, nossas máquinas têm uma sala de controle, reportando inúmeras informações de todos os sensores – e indicando, por exemplo, que a combinação de tal temperatura com tal rotação do motor pode causar um problema em breve.
Leandro: Ainda usando um exemplo de pulverização: anunciamos recentemente uma solução de câmeras e sensores que são instalados nas barras dos pulverizadores. Essas ferramentas podem ler a lavoura em tempo real, checando as infestações de plantas daninhas. Por que isso é bom? Antes, a pulverização era feita de maneira generalizada. Agora, com a inteligência, a aplicação pode ser direcionada e seletiva – gerando uma economia de insumo de até 90%.
Paola: Antigamente, para operar uma máquina era preciso ler um manual. Hoje, algumas das nossas máquinas já contam com a Maia, uma inteligência artificial capaz de responder a perguntas do produtor ou do operador rural. Em vez de ler todo o manual, o humano pode questionar a máquina e obter respostas de forma rápida e natural. A IA também ajuda, por reconhecimento de imagem, a reconhecer uma peça quebrada – e já até enviar o link para compra no caso de necessidade de reposição.
Leandro: Não acho que falar em substituição do humano é o caminho. Pelo contrário: o mercado tem precisado cada vez mais de mão de obra qualificada. É um grande desafio para todos.
Paola: Espero que seja a mais tranquila possível – e sustentável. Hoje, o Brasil é um centro global do agro, mas também precisamos garantir que nosso país seja um dos mais sustentáveis do mundo. No nosso plano estratégico, outro ponto importante é cada vez mais apoiar os produtores em questões de sustentabilidade e agricultura regenerativa. Com nossas máquinas e a IA, queremos oferecer soluções que fortaleçam um ciclo positivo de agricultura regenerativa, em qualquer operação.
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A Série de Entrevista: “IA nos Negócios” é um espaço para convidados compartilharem suas visões, experiências e inspirações com o mercado. As informações e opiniões formadas neste artigo são de responsabilidade única do autor. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão.
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