Terapias substituem funções do organismo e requerem controle rigoroso para evitar complicações desde os primeiros dias de vida
28 de abril de 2026
Uma combinação de medicação, alimentação controlada, vigilância de sintomas e acompanhamento frequente faz parte de uma série de cuidados contínuos para quem vive com uma doença rara metabólica ou imunológica.
Nessa engrenagem, cada elemento interfere diretamente no outro.
No caso da fenilcetonúria, doença rara metabólica identificada no teste do pezinho, o organismo não consegue metabolizar adequadamente a fenilalanina, um aminoácido presente em alimentos ricos em proteínas.
O tratamento exige uma restrição rigorosa dessas fontes e a introdução de uma fórmula metabólica específica, que passa a ser a principal fonte proteica ao longo de toda a vida. Sem o controle adequado, o excesso de fenilalanina ultrapassa a barreira cerebral e desencadeia um processo de toxicidade neurológica progressiva.
“A condição provoca o que chamamos de ‘queima de neurônios’”, explica Fernanda Santos Conde, nutricionista do Serviço de Referência em Triagem Neonatal do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Sul, responsável pelo atendimento de pacientes com fenilcetonúria e membro da Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM).
“Esse dano afeta diretamente a memória, o aprendizado e a capacidade motora, podendo gerar dependência permanente”, completa a especialista.
Os custos durante o processo também são fatores importantes. Alimentos especiais, como farinhas e produtos hipoproteicos, podem custar três ou quatro vezes mais do que versões convencionais, além de frequentemente dependerem de importação.
Mesmo itens aparentemente simples, como sucos ou preparações industrializadas, podem conter adoçantes ou composições inadequadas, restringindo ainda mais as opções disponíveis.
Esse conjunto de exigências acaba reorganizando a dinâmica familiar. Viagens, lazer e até a rotina de trabalho dos cuidadores são impactados. Em muitos casos, mães e pais assumem uma carga adicional significativa, conciliando o cuidado com outras responsabilidades.
Por isso, a rede de apoio deixa de ser um complemento e passa a ser condição para que o tratamento seja viável. Família, escola e equipe multiprofissional atuam de forma integrada para sustentar o cuidado contínuo.
O acompanhamento envolve não apenas médicos, mas também nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e outros especialistas, que ajudam a traduzir orientações técnicas em rotinas possíveis.
Clique aqui para ler a matéria completa, produzida pelo Estadão Blue Studio.
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