Falta de conexão no campo e baixa qualificação travam avanço digital no Brasil
24 de abril de 2026
Uma das sessões do Fórum de Infraestrutura e Políticas Públicas, organizado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo, tratou da digitalização do campo brasileiro, que avança em ritmo acelerado, impulsionada por sensores, drones, satélites e sistemas cada vez mais integrados.
Um volume inédito de informações é obtido por meio de dados que podem ser coletados por sensoriamento orbital, com imagens de satélite; por via aérea, com drones e aeronaves; ou diretamente no solo, com sensores instalados em máquinas e equipamentos.
Quando bem interpretadas, os dados permitem decisões mais eficientes — da aplicação de insumos ao manejo da irrigação.
Apesar disso, a falta de conectividade de qualidade e a necessidade de capacitação técnica para operar um ecossistema cada vez mais complexo são dois entraves que ajudam a explicar por que boa parte do potencial dessa transformação ainda não se concretizou.
“Temos uma chuva de ferramentas e plataformas, mas isso não traz resultado sem conhecimento agronômico”, afirma o agrônomo Luís Henrique Bassoi, pesquisador da Embrapa. A observação sintetiza um dos principais gargalos do setor: a tecnologia avança mais rápido do que a capacidade de absorção por parte dos usuários.
Esse descompasso se torna ainda mais evidente com a explosão recente das agtechs, startups focadas em soluções específicas para o agro. Embora ampliem as possibilidades, essas ferramentas também aumentam a complexidade do ambiente decisório, exigindo do produtor maior capacidade de análise e integração.
Por outro lado, se a agricultura 4.0 já incorporou automação, telemetria e digitalização, a chamada agricultura 5.0 começa a emergir, baseada na integração total de sistemas.
Nesse modelo, operações se conectam de ponta a ponta: a colheita aciona automaticamente a logística, enquanto dados de mercado e recomendações de compra chegam em tempo real ao produtor.
Apesar de promissor, esse cenário ainda é restrito. “Existem fazendas explorando quase todo o potencial da agricultura digital, mas são exceções”, explica Ricardo Arruda, especialista em agricultura digital. A maioria ainda opera em níveis intermediários de adoção tecnológica.
Clique aqui para ler a matéria completa, produzida pelo Estadão Blue Studio.
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