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Valdoir Slapak explica por onde começar uma reestruturação quando há vários problemas ao mesmo tempo
Por SAFTEC DIGITAL

Valdoir Slapak explica por onde começar uma reestruturação quando há vários problemas ao mesmo tempo

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 4 de novembro de 2026

Estabilizar o caixa e escolher poucas prioridades evita que a empresa tente resolver tudo de uma só vez.

De acordo com Valdoir Slapak, executivo com atuação em reestruturação empresarial e gestão estratégica, com experiência em ambientes corporativos complexos, a primeira decisão de uma reestruturação é escolher por onde começar, porque tentar tratar todas as frentes ao mesmo tempo dispersa a equipe, consome o caixa e atrasa as medidas que realmente estabilizam a empresa.

Uma reestruturação raramente começa com um problema único. Em geral, a empresa enfrenta ao mesmo tempo queda de receita, custos desalinhados, dívidas pressionando o caixa e equipes sobrecarregadas. Sem uma ordem de prioridades, as decisões são tomadas conforme a urgência de cada dia, e o turnaround perde direção. A pressão para agir rápido aumenta o risco de decisões desencontradas, e é nesse cenário que um critério de ordenação faz mais diferença.

Estabilizando o caixa antes de qualquer outra medida

A primeira frente é entender quanto de caixa a empresa tem, quanto vai gerar e quanto deve pagar nas próximas semanas. Uma projeção de curto prazo, com entradas e saídas por semana, revela com antecedência os períodos de aperto e dá tempo para agir. Sem essa visão, qualquer outra decisão é tomada sem saber quanto tempo a empresa tem para executá-la. Revisar a projeção toda semana, e não apenas ao final do mês, permite corrigir o rumo antes que um desvio pequeno se transforme em falta de recursos.

Conforme pondera Valdoir Slapak, a estabilização do caixa deve vir antes das mudanças estruturais, porque medidas como reorganização de equipes, troca de sistemas ou revisão de portfólio exigem tempo e recursos, e uma empresa sem folga financeira não consegue sustentá-las até que produzam efeito. A disciplina de caixa dá à empresa o prazo necessário para tratar as causas do problema.

As ações iniciais costumam ser simples: adiar gastos não essenciais, reforçar a cobrança de valores a receber e renegociar prazos com fornecedores. O objetivo dessas medidas é ganhar tempo, e não resolver a raiz do problema.

Separando o urgente do importante

Com o caixa sob controle, a empresa deve listar todas as frentes abertas e classificá-las por impacto no resultado e por urgência. Algumas exigem ação imediata, como obrigações com vencimento próximo. Outras têm grande impacto, mas podem esperar algumas semanas, e outras têm pouco efeito e podem ser adiadas sem prejuízo. Esse exercício também revela quais problemas são consequência de outros, o que evita gastar energia em sintomas que desaparecem quando a causa é tratada.

Na concepção de Valdoir Slapak, o critério para ordenar as frentes deve ser o efeito sobre o caixa e sobre a capacidade de a empresa continuar operando, porque iniciativas de grande ambição, mas com retorno distante, tiram energia das ações que garantem a continuidade no curto prazo. Um número reduzido de prioridades, com responsáveis e prazos definidos, tende a produzir mais do que uma lista extensa de intenções.

A lista deve ser revista com regularidade, pois a ordem de prioridade muda à medida que o caixa se estabiliza e novas informações aparecem. Quando uma frente deixa de ser prioritária, a decisão deve ser comunicada, para que as equipes saibam o que passa a receber atenção.

Definindo responsáveis, equipe e forma de decidir

Uma reestruturação exige agilidade e informações confiáveis. Por isso, a composição de um management team enxuto e alinhado é fundamental para conduzir o processo com eficiência, integrando as lideranças financeira e operacional. Na prática do restructuring, definir com clareza quem decide o quê evita sobreposição de funções e gargalos na tomada de decisão.

Valdoir Slapak lembra que a equipe que conduz a reestruturação precisa ter autoridade proporcional à responsabilidade, porque decisões que dependem de várias aprovações perdem a velocidade exigida por uma situação de pressão. Valdoir Slapak acrescenta ainda que reuniões curtas e regulares, com pauta objetiva e registro das decisões, mantêm todos informados sem consumir tempo que a operação precisa.

A comunicação com as equipes também faz parte do processo. Explicar o que será feito, em que ordem e por quê reduz a incerteza e evita que boatos substituam informação. Essa transparência fortalece a governança do processo e facilita o apoio das áreas que precisam executar as mudanças.

Monitorando resultados e ajustando o plano

Definidas as prioridades, a empresa precisa de poucos indicadores para saber se o plano funciona. Caixa semanal, receita, margem e cumprimento das ações são suficientes para o início. O importante é que os números cheguem rápido e sejam entendidos por quem decide. Indicadores demais dispersam a atenção, e indicadores de menos escondem desvios. O equilíbrio costuma estar em cinco ou seis medidas objetivas.

Valdoir Slapak complementa que o plano de reestruturação deve ser tratado como um documento vivo, ajustado a cada revisão, porque as premissas feitas no início raramente se confirmam por completo, e insistir em um plano que a realidade já superou desperdiça tempo e recursos.

Com o caixa estabilizado, as frentes ordenadas, a equipe definida e os resultados monitorados, a reestruturação empresarial ganha método e deixa de depender de reações a cada urgência. A execução estratégica passa a seguir uma sequência, e a empresa constrói as condições para uma recuperação sustentável.

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