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Marcio Alaor de Araujo detalha os pilares da governança corporativa
Por SAFTEC DIGITAL

Marcio Alaor de Araujo detalha os pilares da governança corporativa

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 3 de novembro de 2026

Código do IBGC organiza princípios, conselho e controles que sustentam a decisão nas empresas.

Marcio Alaor de Araujo, executivo do mercado financeiro, detalha como as práticas de governança corporativa ajudam a organização a decidir melhor. A governança define quem decide, com que informação e sob quais controles. O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) atualizou em 2023 o seu Código das Melhores Práticas, e a sexta edição é referência para empresas de capital aberto e fechado.

Princípios que orientam as práticas

O código se apoia em cinco princípios. Ele propõe práticas para os principais órgãos de uma empresa, como sócios, conselho de administração, diretoria e órgãos de controle. Não se trata de um conjunto de regras rígidas. O texto adota a lógica de praticar ou explicar, em que a empresa segue a recomendação ou justifica por que adotou outro caminho.

Esse desenho reconhece que a governança precisa caber na realidade do negócio. Uma estrutura copiada sem adaptação gera custo e burocracia, e uma estrutura ausente deixa a organização dependente de decisões pessoais.

Marcio Alaor de Araujo avalia que essa flexibilidade é um dos pontos fortes do modelo. Uma companhia familiar de médio porte e uma empresa listada em bolsa têm necessidades diferentes. O que importa é que as escolhas sejam conscientes, registradas e comunicadas aos interessados.

O papel do conselho de administração

O código recomenda que o conselho de administração tenha de cinco a nove membros. A faixa busca equilibrar diversidade de experiências e capacidade de deliberação. Um conselho pequeno demais concentra opiniões. Um conselho grande demais torna as discussões lentas e dilui a responsabilidade.

A composição também importa. Conselheiros independentes, com experiência complementar em finanças, operações e gestão de pessoas, qualificam o debate. Para Marcio Alaor de Araujo, o conselho funciona melhor quando acompanha a estratégia de perto, sem assumir tarefas da diretoria. Cabe a ele fazer perguntas difíceis, avaliar riscos e acompanhar a sucessão dos principais executivos.

Risco, controles e conformidade em funções separadas

O código orienta que a gestão de riscos, os controles internos e a conformidade sejam funções distintas, com autonomia e acesso direto ao conselho. A separação evita conflitos de interesse. Quem executa uma atividade não deve ser o único a avaliá-la.

Na prática, isso significa definir responsabilidades por escrito, manter canais de comunicação independentes e registrar decisões relevantes. Empresas que organizam essas funções cedo reduzem retrabalho e chegam mais preparadas a auditorias, a processos de financiamento e a operações societárias.

Governança e qualidade da decisão

Boas práticas de governança têm efeito direto sobre a tomada de decisão. Quando os papéis estão claros, a informação chega ao nível certo, no tempo certo. Decisões de investimento, endividamento e contratação passam por critérios conhecidos, e não dependem da influência de uma pessoa.

Marcio Alaor de Araujo destaca que a transparência também protege a organização em momentos de tensão. Uma empresa com regras definidas para conflitos de interesse, transações com partes relacionadas e remuneração de executivos enfrenta crises com mais credibilidade. Os investidores, os credores e os colaboradores sabem o que esperar.

Um processo contínuo

Governança não se resume a um estatuto bem escrito. Exige revisão periódica, avaliação do conselho e disposição para corrigir rumos. Começar por medidas simples já produz efeito. Pautas de reunião estruturadas, atas completas e políticas claras são bons primeiros passos. Elas custam pouco e criam o hábito de registrar e justificar decisões. À medida que a empresa cresce, a estrutura evolui junto. A governança se torna parte da cultura, e não apenas uma exigência formal.

Marcio Alaor de Araujo observa que o ganho aparece na qualidade das conversas. Com informação organizada e responsabilidades definidas, a diretoria discute alternativas em vez de apagar incêndios. Os riscos aparecem mais cedo, e as decisões chegam ao conselho com análise prévia e opções comparadas. O conselho, por sua vez, concentra a atenção nas questões que decidem o futuro da empresa, como estratégia, capital e pessoas. Esse é o retorno mais valioso de uma governança bem desenhada.

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