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Recuperação judicial bate recorde no Brasil: Pedro Daniel Magalhães analisa a mudança de perfil
Por SAFTEC DIGITAL

Recuperação judicial bate recorde no Brasil: Pedro Daniel Magalhães analisa a mudança de perfil

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 17 de julho de 2026

O número de empresas em recuperação judicial chegou ao maior patamar da série histórica em 2025, mas o ritmo de crescimento vem perdendo força, ano após ano.

O Brasil registrou, em 2025, o maior número de empresas em recuperação judicial de sua série histórica, segundo o Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da Serasa Experian. O dado, à primeira vista alarmante, esconde um sinal mais sutil: a velocidade desse crescimento vem desacelerando há três anos seguidos.

Um recorde que esconde uma desaceleração no ritmo

Pedro Daniel Magalhães pondera que essa desaceleração não deve ser lida como sinal de alívio, mas como acomodação em um patamar de estresse financeiro corporativo mais alto do que o histórico recente do país. Depois de anos de crescimento acelerado nos pedidos, o mercado parece estar encontrando um novo normal, ainda que esse normal seja bem mais desafiador do que o observado antes da pandemia.

Agro se tornou o novo protagonista das recuperações

A composição setorial das recuperações judiciais mudou de forma expressiva ao longo da última década. O setor agropecuário, que já foi marginal nesse tipo de estatística, hoje concentra a maior fatia dos pedidos, tecnicamente empatado com o setor de serviços. Comércio e indústria, que historicamente lideravam essas listas, perderam espaço relativo.

Para o executivo, essa migração reflete a maior exposição do agronegócio a riscos climáticos, volatilidade de preços de commodities e ciclos financeiros mais longos entre safra e entressafra, fatores que se somaram, nos últimos anos, a juros elevados e crédito mais seletivo.

Falências caem enquanto recuperações judiciais sobem

Em direção contrária ao movimento das recuperações judiciais, os pedidos de falência vêm recuando ano após ano e seguem bem abaixo do patamar registrado antes da última década. Segundo Pedro Magalhães, essa combinação sugere uma mudança relevante de comportamento: empresas em dificuldade têm preferido recorrer à recuperação judicial como instrumento de reorganização, em vez de simplesmente encerrar operações.

A preferência das empresas pelo rito judicial, mais formal e com regras mais claras de negociação com credores, também ajuda a explicar por que a recuperação extrajudicial, alternativa mais rápida mas que depende de maior alinhamento entre as partes, segue pouco utilizada em comparação.

O que a inadimplência atual sinaliza para 2026?

O nível de empresas inadimplentes no país segue elevado, um indicador que costuma anteceder novos pedidos de recuperação judicial. Na avaliação de Pedro Daniel Magalhães, o desfecho de 2026 depende de fatores concretos: o ritmo de queda da Selic, as condições de concessão de crédito para pequenas e médias empresas e a capacidade das companhias de recompor margem em um cenário de atividade econômica ainda modesta.

Enquanto esses fatores não se definem, o patamar elevado de recuperações judiciais deve seguir como um traço estrutural da economia brasileira, e não como um episódio isolado. Vale lembrar que parte desse movimento também reflete o próprio crescimento da base de empresas ativas no país: mais negócios em operação tendem a gerar, naturalmente, mais casos de dificuldade financeira em termos absolutos, ainda que isso não explique sozinho todo o fenômeno observado nos últimos anos.

Para Pedro Daniel Magalhães, o dado mais revelador não é o recorde em si, mas a permanência do problema mesmo diante de sinais de estabilização em outras frentes da economia. Isso sugere que o desafio enfrentado por parte das empresas brasileiras já deixou de ser conjuntural, ligado a um momento específico de aperto monetário, e passou a refletir também questões estruturais de acesso a crédito e de gestão financeira que vinham sendo mascaradas em períodos de juros mais baixos.

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