Brasil tem mais de 41 mil empresas de software e serviços, e escolha de fornecedor ganha nova complexidade com IA
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 16 de setembro de 2026
Em um mercado formado majoritariamente por micro e pequenas empresas, avanço de ferramentas generativas amplia capacidade de produção digital e reforça importância de critérios de avaliação na contratação de parceiros de tecnologia
Escolher uma empresa para desenvolver um sistema, aplicativo ou plataforma digital pode se tornar uma tarefa cada vez mais complexa para companhias brasileiras. Além de um mercado pulverizado, com milhares de fornecedores de diferentes portes e especialidades, a popularização da inteligência artificial está reduzindo barreiras para a produção de códigos, sites, apresentações e outros ativos digitais usados também na demonstração de capacidade técnica.
Dados da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), com base em levantamento da IDC, mostram que o segmento brasileiro de software e serviços reunia 41.732 empresas, das quais 61% eram microempresas e 33,5% pequenas. Juntas, portanto, essas duas categorias representam mais de nove em cada dez companhias do setor.
O tamanho do mercado acompanha a expansão dos investimentos em tecnologia no país. Em 2025, o mercado brasileiro de TI movimentou US$ 67,8 bilhões, ante US$ 58,6 bilhões no ano anterior, segundo estudo da ABES com dados da IDC. Somente software respondeu por US$ 21,7 bilhões dos investimentos realizados no período.
Ao mesmo tempo, ferramentas de inteligência artificial passaram a fazer parte da rotina de quem desenvolve tecnologia. O Developer Survey 2025, do Stack Overflow, mostrou que 84% dos desenvolvedores utilizavam ou planejavam utilizar IA em seus processos de desenvolvimento. Entre os profissionais da área, 51% disseram recorrer a essas ferramentas diariamente.
O crescimento da adoção, porém, não eliminou a necessidade de validação. Na mesma pesquisa, 46% dos desenvolvedores disseram desconfiar da precisão das respostas produzidas pelas ferramentas de IA, enquanto 33% afirmaram confiar nelas.
Para Lucas Oliveira, fundador da Softdex, plataforma brasileira voltada ao mapeamento e à avaliação de empresas de tecnologia, a combinação entre um mercado altamente pulverizado e ferramentas que aceleram a produção digital torna necessário ampliar os critérios utilizados na escolha de fornecedores.
“Um site bem construído ou um portfólio visualmente convincente já não são suficientes para entender a estrutura que existe por trás de uma empresa. A inteligência artificial facilitou muito a produção desses materiais. Para quem está contratando tecnologia, isso significa que é preciso analisar outros sinais, como histórico de projetos, avaliações, especialização, estrutura e capacidade de continuidade da operação”, afirma.
A Softdex surgiu justamente com a proposta de organizar informações sobre esse mercado. Lançada há menos de seis meses, a plataforma já mapeou mais de 350 empresas de tecnologia de diferentes regiões do Brasil, das quais 48 passaram por seu processo de verificação.
O diretório recebe atualmente mais de 2 mil usuários por mês em busca de parceiros de tecnologia. De acordo com dados da própria plataforma, empresas que utilizam os planos pagos recebem, em média, de dois a cinco novos leads mensais, enquanto os perfis em destaque registram aproximadamente 12 vezes mais cliques. No último mês, o sistema de matchmaking gerou uma média de seis oportunidades de negócio para cada empresa em destaque.
Segundo Oliveira, a preocupação não está apenas em diferenciar empresas maiores de pequenos prestadores, já que o porte, isoladamente, não determina a qualidade de uma entrega. O principal desafio é permitir que o contratante tenha informações suficientes para entender com quem está negociando e se a estrutura do fornecedor é compatível com a complexidade do projeto.
“Um freelancer pode ser a escolha certa para determinada necessidade, assim como uma software house pequena pode ser excelente no que faz. O problema aparece quando o contratante acredita estar adquirindo uma estrutura diferente daquela que realmente existe. Quanto mais estratégico for o sistema, maior é a importância de saber quem será responsável pela entrega, manutenção e evolução daquela tecnologia”, explica.
A discussão ganha relevância em um momento de expansão do mercado brasileiro. O Brasil manteve em 2025 a décima posição mundial em investimentos em tecnologia e a liderança na América Latina, concentrando 38,4% dos investimentos regionais em TI, segundo a ABES.
Para as próprias software houses, a maior oferta de fornecedores também aumenta a necessidade de comprovar experiência e diferenciais. Nesse contexto, a Softdex começou a ampliar sua atuação para além do diretório, com selos de verificação e avaliação, rankings por região e tecnologia, guias para contratação e estudos sobre o setor.
Entre as iniciativas está o Panorama de Software Houses Brasileiras, levantamento desenvolvido para reunir informações sobre características, desafios e perspectivas das empresas que atuam no segmento.
“Existe um mercado enorme e com empresas em estágios muito diferentes de maturidade. Organizar essas informações ajuda quem contrata a tomar uma decisão mais fundamentada e, ao mesmo tempo, estimula as empresas do setor a mostrarem de maneira mais transparente aquilo que conseguem entregar”, conclui Oliveira.
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