Estadão Blue Studio - Setor de combustíveis lança estratégia para evitar apagão do diesel

Setor de combustíveis lança estratégia para evitar apagão do diesel

Ações das distribuidoras asseguram o abastecimento em meio ao cenário global desafiador

5 de maio de 2026

Setor de combustíveis lança estratégia para evitar apagão do diesel

O custo do diesel aumentou para os consumidores brasileiros, devido, principalmente, ao forte impacto causado desde o início da guerra no Irã, no final de fevereiro.

Além disso, a alta também é causada pela redução da oferta no mercado internacional.

Mas uma intensa mobilização das distribuidoras de combustíveis está evitando um problema que certamente seria muito mais grave: o desabastecimento.

O setor desenhou uma complexa estratégia para afastar a ameaça de um apagão sistêmico em setores vitais da economia brasileira, como transporte, agronegócio e diversas cadeias produtivas.

Essa verdadeira corrida contra o tempo envolve uma série de ações que nem sequer chegam a se tornar conhecidas do grande público, mas são essenciais para preservar o abastecimento e assegurar a normalidade das atividades no País, que importa 30% do diesel que consome.

São estratégias que exigem mobilização de capital intensivo – investimentos extras e não previstos que se fizeram necessários diante do cenário.

Isso abrange desde a ampliação emergencial da infraestrutura logística, envolvendo o acionamento de mais navios, a expansão da tancagem (termo técnico para armazenamento) e a contratação de seguros, até a absorção de impactos financeiros, como o pagamento de prêmios altíssimos no mercado internacional e a gestão da diferença de custo em relação ao produto nacional.

Trabalho contínuo

A vigilância e as estratégias precisarão ser mantidas mesmo com o eventual cessar-fogo e a reabertura plena do Estreito de Ormuz, pois o tempo médio do ciclo de negociação e transporte desde aquela região até o Brasil é de aproximadamente 45 dias.

Projeta-se que a cadeia global de energia enfrentará uma “ressaca logística” persistente, marcada por gargalos, acúmulo de cargas, entre outros pontos que poderão exigir meses de estruturação até que a estabilidade global seja restabelecida.

O cenário já estava tumultuado pelo conflito no Leste Europeu entre Rússia e Ucrânia, que alterou profundamente as rotas globais de escoamento de derivados do petróleo, especialmente devido aos embargos e sanções aplicados à Rússia.

Essa reconfiguração obrigou nações ao redor do globo, incluindo o Brasil, a buscar fornecedores alternativos com novas matrizes de frete, o que estrangulou a oferta internacional e, somado aos conflitos no Oriente Médio, tem sustentado a alta estrutural no preço de paridade de importação.

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