Satélites ampliam monitoramento à engenharia irregular

Ferramenta inédita cruza dados de obras e gera atuação mais precisa dos Creas

24 de abril de 2026

Satélites ampliam monitoramento à engenharia irregular

Durante o evento Colégio de Inspetores 2026, promovido pelo Crea-SP, em São Paulo, Vinícius Marchese, presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), destacou a dificuldade na fiscalização das atividades ligadas às áreas de engenharia civil, agronomia e geociências.

“Quem é inspetor da modalidade de agronomia sabe o quanto é complexa a fiscalização do setor. É uma dificuldade não apenas no Estado de São Paulo, mas em todos os Estados do País”, disse o executivo. “Quando você compara os números da agronomia, eles estão muito abaixo dos registrados em outras modalidades, justamente por causa dessas dificuldades.”

Mas agora, até o primeiro bimestre de 2027, os fiscais dos 27 Creas espalhados pelo Brasil terão à disposição uma plataforma que promete revolucionar essa fiscalização.

A ferramenta digital, integrada ao monitoramento via satélite, será uma arma poderosa para aferir atividades do agronegócio, por exemplo — tradicionalmente mais difíceis de ser avaliadas —, segundo Vinícius Marchese, presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).

“A plataforma vai iluminar a fiscalização”, afirmou Marchese, dizendo se tratar se uma mudança de paradigma.

Com relatos de animosidade — e até de violência física — contra fiscais, chegar ao campo com informações mais embasadas passa a ser decisivo. Por isso, a nova plataforma nacional de fiscalização é considerada estratégica pelos dirigentes do Crea.

Os dados de sensoriamento remoto serão cruzados com outras bases, como a da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAEs), para identificar se há atividades de engenharia — conhecidas ou não — nas áreas sinalizadas pelo sistema, criado pela atual gestão do Confea.

“Com imagens de satélite — de diferentes origens e com alta resolução —, será possível monitorar propriedades, identificar mudanças ao longo do tempo e entender o tipo de atividade em curso. Isso permite uma atuação mais precisa e segura”, afirma Igor de Mendonça Fernandes, gerente de Fiscalização do Confea.

Na prática, o funcionamento da plataforma seguirá um fluxo integrado. O sistema definirá as áreas de monitoramento; os satélites identificarão mudanças; e essas informações serão processadas por um núcleo de inteligência, responsável por cruzar dados e validar os alertas. A partir daí, os pontos serão distribuídos para fiscalização em campo.

Os fiscais, então, receberão as demandas pelo aplicativo, coletarão informações e poderão gerar processos administrativos, quando necessário — tudo com acompanhamento em tempo real pelos gestores.

A função principal dos Creas é identificar se as obras de engenharia em curso tanto em áreas rurais quanto urbanas estão legais e sendo acompanhadas corretamente por um engenheiro registrado nos conselhos de seus Estados.

Clique aqui para ler a matéria completa, produzida pelo Estadão Blue Studio.