Trends: “A inteligência artificial não vai substituir aquele calor humano da recepção do hotel”, diz Ronaldo Beber, CEO da Gramado Parks

O executivo defende o uso da tecnologia para automatizar processos sem substituir a experiência humana no turismo

26 de março de 2026

Trends: “A inteligência artificial não vai substituir aquele calor humano da recepção do hotel”, diz Ronaldo Beber, CEO da Gramado Parks

Em meio ao crescimento do turismo de experiência no Brasil, empresas do setor têm apostado em inovação, profissionalização da gestão e uso de tecnologia para sustentar a expansão. A Gramado Parks, que atua nas áreas de entretenimento e hospitalidade, é um dos exemplos desse movimento. Sob o comando de Ronaldo Beber, a companhia passa por uma transformação estratégica, com foco em governança, eficiência operacional e novos projetos em diferentes regiões do País.

Ao mesmo tempo, a empresa investe em inteligência artificial para otimizar processos e aprimorar a experiência do cliente, sem abrir mão do atendimento humano, considerado essencial no setor. Nesta entrevista, o executivo fala sobre os planos de expansão, o papel das experiências temáticas no turismo e o impacto da atividade na geração de renda e na transformação econômica regional.

Ronaldo Beber, CEO da Gramado Parks. Foto: Daniel Teixeira/Estadão Blue Studio

1) Como a Gramado Parks tem equilibrado inovação com a profissionalização da gestão nos últimos anos?

A Gramado Parques é reconhecida nacionalmente como uma das empresas mais inovadoras nos setores de entretenimento, turismo e hospitalidade. O grupo é responsável por atrações icônicas, como o Snowland, primeiro parque de neve e o maior da América Latina, as rodas-gigantes do Rio de Janeiro e de Foz do Iguaçu, além do Aquamotion, em Gramado, o único parque aquático termal indoor da América.

A empresa, que teve origem familiar e já contava com investimentos do mercado financeiro, passou por um processo de profissionalização da gestão a partir de 2023. A proposta é manter o perfil inovador e o destaque nacional das atrações, ao mesmo tempo em que avança em indicadores financeiros mais sólidos e em maior transparência, evidenciando o potencial do setor de turismo e hospitalidade.

2) Como a empresa usa tecnologia e IA para inovar nas experiências e apoiar sua expansão? 

Atualmente, 42% das demandas dos nossos clientes já são resolvidas integralmente por inteligência artificial, e a meta é chegar a 60% até 2026. Acreditamos que a IA tem o papel de liberar mais espaço para que o ser humano seja criativo.

Não vemos a inteligência artificial como substituta das pessoas, especialmente no turismo. Ela atua na automatização de rotinas, na compreensão do comportamento dos clientes e na entrega de experiências cada vez mais alinhadas às expectativas. 

A inteligência artificial não vai substituir aquele calor humano da recepção do hotel, da interação que a gente tem com os nossos clientes.

3) Você acha que a busca por experiências temáticas é uma tendência passageira ou um novo padrão de consumo? 

Nós acreditamos que essa tendência veio para ficar, principalmente porque, entre escolher um hotel que ofereça apenas um quarto para dormir e áreas comuns de lazer e optar por um lugar com experiências temáticas para filhos, pais e toda a família, as memórias criadas são muito mais marcantes. Por isso, não vemos esse movimento como algo que vá regredir.

4) Quais são as grandes novidades que iremos ver na Gramado Parks nos próximos anos? 

Apesar de já ter atuação nacional, a empresa ainda não está presente no Sudeste, que hoje concentra o maior público consumidor, inclusive dos produtos em Gramado. Por isso, o plano estratégico é expandir para a região.

A partir de 2027, está prevista a construção do Snowland São Paulo, além de novos projetos voltados a atrações que envolvem parques aquáticos.

5) Qual é o impacto do turismo na transformação econômica e social de uma região?

Vemos o turismo como um dos principais propulsores da profissionalização e da formalização da mão de obra, em qualquer lugar onde esteja presente. Ele tem o potencial de transformar um pescador em microempreendedor ou alguém que vende comida na praia em dono do próprio restaurante, por exemplo.

Temos uma escola própria de hotelaria e entretenimento e buscamos capacitar as pessoas. Também acreditamos ser importante mostrar ao mercado financeiro que o turismo é um setor com alto potencial de rentabilidade.

Gramado é um dos principais exemplos disso. Ao investir de forma consistente no turismo, a cidade mudou de patamar: mesmo com cerca de 42 mil habitantes, recebe aproximadamente oito milhões de visitantes por ano.

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