O executivo aposta na padronização clínica e uso da tecnologia para ampliar qualidade no atendimento hospitalar.
26 de fevereiro de 2026
O setor hospitalar brasileiro passa por um processo de consolidação baseado em escala, tecnologia e integração da assistência. Criada em 2025 a partir da associação entre Dasa e Amil, a Rede Américas surge como um dos principais movimentos desse processo, reunindo hospitais de alta complexidade em regiões estratégicas do País. Na entrevista a seguir, o CEO Lício Cintra da empresa fala sobre o que levou à formação da rede, os desafios de padronização clínica, o uso de tecnologia e inteligência artificial na assistência e a estratégia para crescer com qualidade, mantendo o paciente no centro das decisões.
Lício Cintra, CEO da Rede Américas. Foto: Tiago Queiroz/Estadão Blue Studio
Quando a gente olhava os hospitais de mercado da Amil e os hospitais de mercado da Dasa, o matching geográfico deles era quase perfeito. Então, parecia muito óbvia essa junção. Entendíamos que o que daria dinâmica para esse conjunto de hospitais seria uma capilaridade melhor em regiões-chave. Quando fazemos essa junção, a gente sai de 15 para 25 hospitais, com muita presença em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Da noite para o dia, passa a ser a rede com maior percentual de hospitais certificados.
Pensamos que essa junção traria uma melhor jornada para o paciente, informações mais precisas e uma melhor tomada de decisão, com médicos que são referência nacional.
O eixo do que é qualidade, na visão do público, vai mudando: ora é hotelaria, ora o transporte, ora equipamento de imagem, ora o paciente ou médico no centro. Sou muito convicto de que o que define qualidade é o paciente no centro, cercado de médicos que querem cuidar dele.Para isso, você precisa ter médicos bem formados, de qualidade, e colaboradores que tenham paixão por cuidar, alinhados às boas linhas de cuidado, bons protocolos e indicadores. Com bons médicos e colaboradores, pautados com práticas corretas, a gente consegue entregar uma rede de qualidade.
A gente tem hoje uma equação muito complexa de ser resolvida, que é o custo crescente da medicina como um todo. As pessoas estão vivendo mais e vão viver mais. Felizmente, novas drogas, novos dispositivos e tecnologias são descobertas, e tudo isso tem um custo. Um dos componentes essenciais para fazer esse equilíbrio é ter padronizações que permitam ter competitividade em custo. Por exemplo, se padronizamos um medicamento, há um volume de compras maior e uma negociação melhor. Portanto, temos uma administração de custo melhor.
Tem outra frente de padronização que mexe um pouco com a prática médica. Nesse caso, precisamos ter uma estrutura organizada para ter essa discussão viva com os médicos. A padronização traz ganho efetivo de custo e um ganho assistencial muito grande, pois passa a ter indicadores iguais para serem comparados.
O Hospital 9 de Julho foi o primeiro da América Latina a fazer uma cirurgia robótica a distância. Acho que isso materializa o quanto estamos focados em colocar a tecnologia em prol de uma assistência melhor e mais certeira para o paciente. A tecnologia, seja inteligência artificial ou robô, não vai substituir o médico. É uma ferramenta para o médico exercer a medicina com mais qualidade, cometendo menos erros e com um nível de assertividade maior.
Os exames de imagem são puro dado. Então, esse cruzamento do banco de imagens é muito rico para amparar o médico para o laudo ou identificar, eventualmente, erros que poderiam ser cometidos se a tecnologia não tivesse sido implementada. Hoje, você tem máquinas com tudo integrado, onde já joga para a nuvem, faz análise e devolve. A gente tem uma transformação não só na parte de diagnóstico, mas em todas as frentes onde o dado é valioso.
Vou tentar dividir esse tema em dois: um é capilaridade e o outro é tecnologia, sustentação de padrões, processos. Arrumar um crescimento desorganizado é uma missão muito difícil e tem se mostrado muito custosa, e não só no setor de saúde. Adoraríamos estar no País inteiro, mas estamos em regiões densas, que são polos de alta complexidade, de procedimentos complexos em medicina, com bons hospitais, e a gente vai explorar esses próximos anos para deixar esse processo muito redondo.
A frente de integração de dados é a que acontece primeiro, pois ela é puro dado para melhor tomada de decisão. É o único jeito de dar sustentação para focar na maturidade dos processos, de ter uma plataforma madura, padronizada, para ter uma expansão mais estruturada e não cair no erro de crescer muito rápido e depois ter que botar o pé no freio.
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