Novos modelos do sistema financeiro ampliam desigualdades entre trabalhadores

Em encontro, representantes da Febraban, da Contraf-CUT e do meio acadêmico analisam os efeitos da transformação digital sobre direitos, regulação e tributação no setor financeiro

6 de janeiro de 2026

Novos modelos do sistema financeiro ampliam desigualdades entre trabalhadores

O Meet Point Estadão Think – Segmentos do sistema financeiro em debate: direitos desiguais entre trabalhadores, uma produção do Estadão Blue Studio com patrocínio da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), falou sobre o novo desenho para o sistema financeiro brasileiro.

Participaram do encontro Adauto Duarte, diretor executivo de Relações Institucionais, Trabalhistas e Sindicais da Febraban; Juvandia Moreira Leite, presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT Brasil; e Moisés Marques, professor, pesquisador e consultor na área de Relações Internacionais, sob a mediação da jornalista Camila Silveira.

No cenário atual, com diversas opções à disposição, como pix no celular, carteiras digitais e aplicativos diversos, “tudo parece banco”. Mas por trás das telas cresce um mosaico de instituições com regras distintas, enquadramentos tributários variados e regimes de trabalho que criam, na prática, profissionais de “primeira e segunda classe” dentro do mesmo setor.

Durante o evento, Adauto Duarte ressaltou que a antiga estrutura de “casa bancária” já não representa o setor. “No passado, se alguém quisesse fazer uma transação, precisava ir a uma agência de banco comercial. Hoje, falamos em vários segmentos”, afirmou.

“Somente dentro do Sistema Financeiro Nacional, existem 1.802 instituições autorizadas. Os bancos representam 9,9% desse universo”, detalhou. Muitas dessas instituições podem realizar atividades que, até pouco tempo atrás, só aconteciam no balcão de uma agência.

Juvandia Moreira Leite aproveitou para lembrar que cooperativas, fintechs e instituições de pagamento passaram a oferecer o mesmo conjunto de serviços dos bancos – abertura de contas, cartões, pagamentos, transferências e crédito –, mas com condições de trabalho mais frágeis.

“Se o serviço é o mesmo, as exigências de qualificação também são. A diferença aparece na jornada, na remuneração e na proteção”, afirmou.

Segundo ela, a jornada média em cooperativas chega a ser 50% maior que a dos bancários; a permanência no emprego gira em torno de três anos, enquanto em bancos tradicionais se aproxima de dez. “Eles trabalham mais, com períodos de seis ou oito horas, e recebem, em média, metade do salário de um bancário”, criticou.

O professor Moisés Marques acrescentou que o avanço tecnológico acelerou a proliferação das fintechs – mais de 1,4 mil, segundo entidades do setor. “Precisamos separar o joio do trigo. Vemos empresas que se apresentam como financeiras oferecendo produtos estranhos, muitas vezes à margem de controles que bancos tradicionais cumprem”, afirmou.

Essa brecha regulatória amplia riscos, inclusive de violações à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e de golpes contra consumidores.

Clique aqui para ler a matéria completa, produzida pelo Estadão Blue Studio, com patrocínio de Febraban.