Estadão Blue Studio - Novo contexto global impõe revisão na forma de investir

Novo contexto global impõe revisão na forma de investir

Debates no Nomad Global Invest Day indicam que cenário mais complexo exige portfólios mais amplos, com equilíbrio entre risco, geografia e setores

27 de março de 2026

Novo contexto global impõe revisão na forma de investir

Um dos principais consensos observados durante o Nomad Global Invest Day, realizado em 17 de março, em São Paulo, foi a revisão da forma como investidores constroem seus portfólios, com ênfase na diversificação – em um cenário marcado por maior volatilidade e incerteza.

O evento foi palco de discussões sobre os impactos da IA, das guerras e das eleições nas decisões de investimento, com análises que convergiram para um pouco comum: a construção de patrimônio exige abordagem ampla, com atenção à diversificação geográfica, à exposição a novos setores e ao equilíbrio entre risco e retorno.

Durante o encontro, que reuniu alguns dos maiores especialistas do mercado financeiro do Brasil e do mundo, o economista Nouriel Roubini, conhecido como Dr. Catástrofe por ter previsto a crise global de 2008, ofereceu uma leitura abrangente das transformações em curso.

“Estamos saindo de um período de relativa estabilidade para um mundo de desordem e volatilidade”, afirmou. “O mundo deixou de ser unipolar e caminha para uma lógica mais fragmentada, em que cada país busca seus próprios interesses.”

De acordo com Roubini, conflitos internacionais e choques de oferta – como as altas recentes no preço do petróleo – acentuam o risco de inflação persistente e crescimento aquém do esperado.

Por outro lado, inovações como IA, veículos elétricos e computação quântica podem impulsionar uma nova lógica de expansão global, a despeito do risco de desemprego e disrupção em diversos setores.

Além disso, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles também defendeu um ciclo de reformas estruturais. Ele afirmou que o País dificilmente conseguirá sustentar um ciclo de crescimento mais robusto sem avançar em transformações no âmbito fiscal e administrativo: “O Estado regula e intervém de maneira tão forte que, para estruturar o País, precisamos estruturar o Estado”.

Segundo Meirelles, o crescimento recente tem sido impulsionado, em grande medida, pela expansão do gasto público – estratégia que pode gerar resultados no curto prazo, mas tende a pressionar a inflação e exigir taxas de juros mais elevadas.

“Não é possível driblar a lei da economia”, disse o economista. O ex-ministro destacou, contudo, que o Brasil dispõe de ativos relevantes e uma democracia consolidada que permitem a sustentação de uma trajetória favorável, além de inovações relevantes na economia.

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