Estadão Blue Studio - ‘Meu papel é tornar a informação acessível’, diz Presley Vasconcellos

‘Meu papel é tornar a informação acessível’, diz Presley Vasconcellos

Economista que atua nas redes como newsfluencers fala sobre a responsabilidade de levar ao público informações de modo compreensível e por meio de análises fiéis à ciência e aos dados

23 de outubro de 2026

‘Meu papel é tornar a informação acessível’, diz Presley Vasconcellos

O economista e mestre em Economia Presley Vasconcellos é um criador de conteúdo que usa as redes sociais para informar, explicar e comentar assuntos de interesse público. São os chamados newsfluencers.

Em suas redes, ele produz conteúdos sobre economia e temas que impactam diretamente a vida das pessoas.

Durante bate-papo produzido pelo Estadão Blue Studio, o influenciador fala sobre a responsabilidade de levar informação para as redes, a relação entre creators e jornalismo profissional, a proximidade com os seguidores e os critérios que orientam a escolha dos assuntos que entram em seus conteúdos.

1. Como você enxerga sua responsabilidade ao mediar temas de interesse público para uma comunidade que, muitas vezes, prefere te ver contando algo do que ler a notícia diretamente na mídia tradicional?

Eu encaro essa responsabilidade com bastante seriedade, porque sei que, para muitas pessoas, meu conteúdo é o primeiro contato com determinado assunto ou uma forma de encontrar alguém que fale de maneira compreensível, sem elitismo acadêmico ou distanciamento. Quando alguém prefere me ouvir explicando um tema, existe uma relação de confiança. Meu papel é tornar a informação mais acessível, traduzir conceitos e mostrar como determinadas decisões econômicas afetam a vida das pessoas, sem simplificar a ponto de fazer uma análise mal feita.

Também tenho consciência de que não sou um substituto para o jornalismo e nem quero ser. Meu trabalho depende muito da apuração feita por jornalistas, pesquisadores, universidades e instituições públicas. O que faço é uma mediação: organizo as informações, apresento contexto, explico os conceitos econômicos e faço uma análise a partir da minha formação e da minha visão de mundo. Por isso, procuro ser fiel à ciência, aos dados, à minha imparcialidade e ao meu compromisso com a justiça social.

2. Como você equilibra a necessidade de ser autêntico e próximo de seus seguidores sem perder o rigor e a autoridade que temas sérios exigem?

Eu não acredito que rigor e proximidade sejam coisas opostas. Uma das bases do meu trabalho é mostrar que é possível falar de economia de maneira leve, bem-humorada e sem uma linguagem inacessível ou excessivamente técnica. Quando comecei, meu objetivo era ser o amigo do bar ou do café para minha audiência. Aquele amigo que brinca e fala sério na mesma proporção: prende a atenção da mesa fazendo um drink de carisma com rigor técnico. E hoje é assim que muitos me enxergam.

Minha autoridade vem da minha formação como Economista e Mestre em Economia, da experiência acadêmica e, principalmente, do compromisso de pesquisar antes de falar. Meu trabalho parte de uma preocupação com desigualdade, pobreza, mercado de trabalho, justiça social e com o impacto das políticas econômicas sobre pessoas reais.

Não escondo meus valores nem quem eu sou, e isso gera identificação. Sou contra o movimento de vida perfeita nas redes sociais e defendo que a forma como conduzimos nossa vida pessoal não interfere na nossa vida profissional. Usar gírias, regata preta ou até mesmo palavrões “cariocas” não reduz em nada a qualidade e o profissionalismo do meu trabalho. Muito pelo contrário, me aproxima da população que mais precisa entender de economia.


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