Estadão Blue Studio - Informações falsas sobre saúde põem pacientes em risco

Informações falsas sobre saúde põem pacientes em risco

Levantamento da Agência Lupa apoiado pela Afya aponta que 87% dos conteúdos sobre saúde analisados foram classificados como falsos e destaca o papel de médicos e jornalistas no combate à desinformação na saúde

4 de novembro de 2026

Informações falsas sobre saúde põem pacientes em risco

Conteúdos enganosos sobre diversas doenças circulam nas redes sociais a todo o momento, incluindo vídeos manipulados por Inteligência Artificial (IA) e anúncios de produtos com promessas de cura.

Um levantamento da Agência Lupa mostra que 87,3% das 764 publicações a respeito do tema analisadas entre 2017 e junho de 2026 foram classificadas como falsas.

O resultado integra o estudo Raio-X da Desinformação em Saúde, realizado pelo Observatório Lupa com apoio da Afya, ecossistema de educação e soluções para a prática médica.

Afya recebeu os participantes para uma imersão na área médica, com atividades sobre estudos científicos, prática clínica e comunicação em saúde. Foto: Divulgação

Durante a pandemia, o volume de publicações verificadas cresceu expressivamente. Em 2020 e 2021, a Lupa checou 452 conteúdos virais sobre saúde, cerca de dez vezes mais que nos três anos anteriores. Nos anos seguintes, ganharam espaço publicações falsas relacionadas a dengue, diabetes, câncer e alimentação.

Das estratégias identificadas, a mais frequente foi a utilização de falsa autoridade médica ou científica, presente em 21,59% dos conteúdos. Mensagens alarmistas representaram 17,09%, enquanto 15,74% distorciam estudos e dados.

“Um dos maiores desafios é que a informação falsa circula com velocidade e, muitas vezes, é apresentada em uma linguagem simples, emocional e aparentemente convincente”, afirma Gustavo Meirelles, vice-presidente Médico e de Relações Institucionais da Afya.

“Já a ciência trabalha com evidências, graus de certeza e atualizações constantes. A desinformação não é apenas um problema de comunicação, mas também de saúde, porque pode influenciar decisões dos pacientes e comprometer seus tratamentos.”

Dentre as verificações realizadas pela Lupa, o WhatsApp apareceu em 70,5% dos casos, seguido pelo Facebook, com 25,3%, e pelo Instagram, com 7%.

A busca por respostas sobre sintomas e doenças já inclui ferramentas de IA. Pesquisa realizada pelo Research & Innovation Center, núcleo de pesquisa da Afya em parceria com a Conexa, mostra que 79% dos entrevistados utilizam a tecnologia no cotidiano.

Quase metade, (49%) recorre à tecnologia em situações relacionadas à saúde. Entre esses usuários, 66% procuram esclarecimentos sobre sintomas, doenças ou diagnósticos.²

“Ferramentas genéricas de IA podem produzir respostas convincentes, mas nem sempre corretas ou adequadas ao contexto clínico de cada pessoa”, afirma Meirelles.

Tomar medicamentos por conta própria, interromper uma prescrição ou adiar a procura por atendimento estão entre as consequências de seguir orientações sem avaliação médica.

Segundo Meirelles, os médicos devem conversar com os pacientes sobre as respostas obtidas nessas ferramentas, esclarecer eventuais erros e avaliar as dúvidas à luz do histórico clínico e dos sintomas apresentados.

Clique aqui para ler a matéria completa, produzida pelo Estadão Blue Studio, com patrocínio de Afya.