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Sócio do grupo Valore+, Vitor Barreto Moreira examina a gestão de empresas em transição digital
Por SAFTEC DIGITAL

Sócio do grupo Valore+, Vitor Barreto Moreira examina a gestão de empresas em transição digital

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 23 de outubro de 2026

Negócios brasileiros adotam ferramentas digitais em ritmo acelerado, mas a reorganização das rotinas internas costuma ficar para depois, criando distância entre tecnologia e decisão.

No cenário atual, Vitor Barreto Moreira, sócio do grupo Valore+, situa a gestão de empresas brasileiras em um ponto de transição incompleta. A adoção de ferramentas digitais avançou com rapidez nos últimos anos, impulsionada pela queda no custo de software e pela exigência de clientes por atendimento mais rápido. A reorganização dos processos internos, porém, raramente acompanhou esse movimento no mesmo ritmo. O resultado é um conjunto de negócios equipados com tecnologia recente e operando com rotinas desenhadas para outro contexto.

Por que adotar ferramentas digitais não reorganiza a gestão de empresas?

A instalação de um sistema resolve um problema técnico pontual, não um problema de organização. Quando a empresa transfere para o software exatamente a mesma sequência de tarefas que executava manualmente, apenas acelera um fluxo que já era ineficiente. Ganha velocidade e mantém os mesmos gargalos, agora menos visíveis porque passam a estar distribuídos entre telas, notificações e relatórios gerados automaticamente.

A distinção traçada por Vitor Barreto Moreira separa duas situações frequentemente confundidas na gestão de empresas. Digitalizar significa mudar o suporte da informação. Reorganizar significa revisar quem decide o quê, com base em qual dado e em que momento. A segunda etapa depende de decisão de gestão e costuma ser adiada, já que não produz resultado imediato nem aparece em demonstração de fornecedor.

Dados dispersos e o limite das decisões por intuição

Empresas em expansão acumulam informação em sistemas que não conversam entre si. Vendas ficam em uma plataforma, financeiro em outra e atendimento em planilhas paralelas, mantidas por áreas diferentes com critérios próprios. Cada base está correta isoladamente, mas nenhuma descreve o negócio inteiro. A consolidação manual consome horas de trabalho e produz um retrato já defasado quando chega à mesa de quem precisa decidir.

Enquanto a operação é pequena, a leitura direta do dia a dia substitui o indicador com razoável precisão. Com o crescimento, a distância entre quem opera e quem decide aumenta, estágio que o exame conduzido por Vitor Barreto Moreira caracteriza como o ponto em que a intuição deixa de bastar. A ausência de dado consolidado passa, a partir daí, a custar margem de forma silenciosa.

O custo de digitalizar um processo que já não funcionava

Projetos de tecnologia que fracassam raramente fracassam por limitação técnica da ferramenta escolhida. Fracassam porque automatizam uma rotina que já apresentava falha de desenho antes da automação. O erro, nesse caso, deixa de ser pontual e passa a se repetir em escala, com registro limpo e aparência de normalidade nos relatórios enviados à diretoria todos os meses.

Revisar o processo antes de contratar a ferramenta reduz esse risco e, em boa parte dos casos, altera a própria especificação do que será contratado. A ordem entre essas duas etapas aparece na análise de Vitor Barreto Moreira como fator que diferencia implantações consistentes daquelas que terminam em troca de sistema poucos meses depois, com custo duplicado.

Quando a automação começa a decidir parte da rotina

A camada seguinte dessa transição não trata de registro, e sim de decisão. Sistemas passam a sugerir reposição de estoque, classificar risco de crédito e priorizar filas de atendimento, com base no histórico da própria operação. A execução se torna automática, mas a responsabilidade sobre o critério permanece inteiramente com a empresa que o adotou.

Vitor Barreto Moreira projeta que esse estágio tende a exigir das empresas brasileiras uma competência pouco desenvolvida até aqui, a de auditar critérios automáticos. Compreender por que determinada recomendação foi gerada torna-se tão relevante quanto a recomendação em si, sobretudo em setores que respondem a exigências de documentação, rastreabilidade e prestação de contas.

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