Os desafios da recuperação judicial e a busca por equilíbrio entre devedores e credores, segundo Pedro Henrique Torres Bianchi
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 25 de maio de 2026
Aplicação prática da Lei n.º 11.101/2005 exige planejamento, transparência e coordenação entre os agentes envolvidos.
Pedro Henrique Torres Bianchi avalia que a recuperação judicial se consolidou como um dos principais instrumentos jurídicos para reorganização de empresas em dificuldade no Brasil. Prevista na Lei n.º 11.101/2005, a ferramenta busca preservar a atividade econômica, ao mesmo tempo em que estabelece mecanismos para o pagamento ordenado das obrigações.
A complexidade do processo, no entanto, exige uma atuação técnica e coordenada entre devedor, credores e demais agentes envolvidos. A construção de soluções viáveis depende da capacidade de alinhar interesses e garantir segurança jurídica ao longo de todas as etapas.
A preservação da empresa como diretriz central
A legislação brasileira estabelece como princípio a preservação da empresa, reconhecendo sua importância econômica e social. Esse direcionamento orienta tanto a elaboração dos planos de recuperação quanto as decisões tomadas no curso do processo. Segundo Pedro Henrique Torres Bianchi, formado, mestre e doutor em Direito Processual pela Universidade de São Paulo (USP), a aplicação prática desse princípio exige equilíbrio.
A preservação da atividade empresarial não pode ocorrer de forma dissociada da proteção dos direitos dos credores. Nesse contexto, a construção de soluções sustentáveis depende de uma análise criteriosa da viabilidade econômica do negócio.
Planos de recuperação e assembleia de credores
O plano de recuperação judicial é o principal instrumento para definir as condições de reorganização da empresa. Ele estabelece prazos, formas de pagamento e eventuais ajustes operacionais necessários para a continuidade das atividades. De acordo com Pedro Henrique Torres Bianchi, a consistência do plano é determinante para sua aprovação em assembleia de credores.
A transparência das informações e a demonstração de viabilidade são fatores que influenciam diretamente o processo decisório. A assembleia, por sua vez, representa um espaço de negociação coletiva, no qual diferentes interesses precisam ser considerados para a construção de um consenso.
Riscos de convolação em falência
Quando não há aprovação do plano ou quando a empresa não consegue cumprir as obrigações estabelecidas, o processo pode ser convertido em falência. Esse desfecho representa o reconhecimento da inviabilidade da atividade empresarial naquele contexto. Pedro Henrique Torres Bianchi ressalta que a falência não deve ser vista apenas como um fracasso, mas como uma etapa prevista no ordenamento jurídico para situações em que a recuperação não se mostra possível.
Processo judicial e segurança jurídica
A condução do processo de recuperação judicial exige atenção a aspectos processuais relevantes, como prazos, impugnações e decisões interlocutórias. A atuação eficiente depende da correta utilização das ferramentas previstas no Direito Processual Civil. Segundo Pedro Henrique Torres Bianchi, a previsibilidade das decisões e o respeito aos princípios processuais são fundamentais para garantir segurança jurídica. A confiança no sistema é um fator relevante para o funcionamento adequado do mercado.
Perspectivas para o sistema de insolvência empresarial
A tendência é de maior sofisticação nos processos de recuperação judicial, com integração entre aspectos jurídicos, financeiros e operacionais. A complexidade crescente das empresas exige abordagens mais estruturadas. Para Pedro Henrique Torres Bianchi, o desafio está em aprimorar os mecanismos existentes, garantindo equilíbrio entre preservação da empresa e proteção dos credores. Nesse cenário, a recuperação judicial se consolida como instrumento essencial para a organização do ambiente empresarial, contribuindo para a estabilidade econômica e para a resolução de crises de forma estruturada.
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