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Novo marco regulatório do Banco Central: Paulo de Matos Junior examina apetite institucional por criptoativos
Por SAFTEC DIGITAL

Novo marco regulatório do Banco Central: Paulo de Matos Junior examina apetite institucional por criptoativos

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 18 de agosto de 2026

Autorização formal para prestadoras de serviços com ativos virtuais passa a valer a partir de fevereiro e reorganiza o mercado de câmbio.

Em um contexto marcado por transformações no mercado financeiro brasileiro, a regulação anunciada pelo Banco Central em novembro de 2025 chega como um dos movimentos mais relevantes para o segmento de criptoativos nos últimos anos, depois de um período em que a ausência de regras formais limitava o volume de capital institucional destinado ao setor. Desde 2 de fevereiro de 2026, as Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais, as PSAVs, precisaram de autorização formal para operar no país, submetendo-se a um regime de fiscalização próximo ao já aplicado a bancos e fintechs. Paulo de Matos Junior, empresário do segmento financeiro com atuação em câmbio e intermediação de criptoativos, mapeia os efeitos dessa mudança sobre o apetite de investidores institucionais pelo setor.

Barreira de entrada que também é filtro de qualidade

Para o mercado institucional, a ausência de um marco regulatório claro sempre foi um dos principais obstáculos à alocação de capital em criptoativos no Brasil, mesmo diante do crescimento consistente do setor nos últimos anos e do interesse crescente de gestoras internacionais pelo tema. Paulo de Matos Junior detalha que a exigência de autorização formal tende a funcionar como um filtro de qualidade, reduzindo a assimetria de informação entre gestoras, fundos e as empresas que oferecem serviços de câmbio e intermediação nesse mercado.

Não menos importante, a regulação estabelece um padrão mínimo de governança que investidores institucionais já exigem em outros segmentos financeiros antes de aportar recursos relevantes, como relatórios periódicos e canais formais de prestação de contas. Esse alinhamento entre o setor de criptoativos e as práticas já consolidadas do mercado financeiro tradicional deve facilitar a análise de risco por parte de comitês de investimento habituados a critérios mais rígidos de compliance e due diligence.

Segurança como pré-condição para capital institucional

A instituição reguladora reforça que a fiscalização das PSAVs busca ampliar a segurança e a transparência do setor, além de combater fraudes, lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo, riscos que costumam pesar de forma decisiva nas análises de comitês de investimento institucional. Paulo de Matos Junior sinaliza que a mitigação desses riscos tende a abrir espaço para alocações maiores, sobretudo entre fundos que já monitoram o setor, mas ainda aguardavam um arcabouço regulatório mais consolidado para ampliar posições em criptoativos de forma mais estruturada.

Impulsionado por esse novo cenário, o mercado de câmbio e criptoativos deve continuar atraindo um volume crescente de capital institucional ao longo de 2026, à medida que mais empresas obtiverem a autorização formal do Banco Central e comprovarem aderência plena às novas exigências. Esse movimento tende a se intensificar de forma gradual, acompanhando o ritmo de adequação das prestadoras de serviços já estabelecidas no mercado brasileiro de câmbio e intermediação de criptoativos.

Um processo construído com a escuta do próprio mercado

O caminho até a definição das novas regras envolveu mais de um ano de consultas públicas conduzidas pelo Banco Central junto aos principais players do setor de câmbio e criptoativos, com espaço para que diferentes agentes apresentassem sugestões e preocupações ao longo do processo. Paulo de Matos Junior sublinha que esse formato participativo contribuiu para um desenho normativo mais próximo da realidade operacional das empresas, o que tende a facilitar a adaptação do mercado às novas exigências nos próximos meses, sem sobressaltos regulatórios abruptos.

Ao final dessa análise, o que se observa é um setor que caminha para um novo patamar de institucionalização, com potencial para atrair capital que hoje permanece cauteloso diante da falta de regras claras e de mecanismos formais de fiscalização. Paulo de Matos Junior segue acompanhando a adaptação das empresas de câmbio e intermediação de criptoativos ao novo cenário regulatório definido pelo Banco Central para o mercado brasileiro, especialmente no que se refere à entrada gradual de capital institucional ao longo dos próximos trimestres.

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