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Mário Augusto de Castro comenta a ascensão dos carros clássicos como ativo alternativo entre investidores de alta renda
Por SAFTEC DIGITAL

Mário Augusto de Castro comenta a ascensão dos carros clássicos como ativo alternativo entre investidores de alta renda

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 16 de julho de 2026

Levantamentos recentes mostram carros clássicos ganhando espaço ao lado de arte, relógios e vinhos raros nas carteiras de grandes fortunas ao redor do mundo, tema que o empresário comenta a seguir.

O Knight Frank Wealth Report, levantamento anual sobre o comportamento de grandes fortunas, mostra investidores de alta renda ampliando a participação de ativos tangíveis na carteira: arte, carros clássicos, relógios, joias, vinhos raros e imóveis de luxo entre eles. O movimento é descrito pelo mercado como investimento experiencial, quando o bem combina potencial de valorização com algum tipo de fruição ou uso direto por parte do investidor, em vez de ficar restrito a uma posição puramente financeira e abstrata na carteira.

Por que ativos tangíveis ganham espaço na carteira?

Diferente de ações ou títulos de renda fixa, esse tipo de ativo não tem cotação diária e depende de raridade, estado de conservação, autenticidade e demanda dentro de um círculo relativamente restrito de colecionadores especializados. Mário Augusto de Castro pondera que essa iliquidez, à primeira vista uma desvantagem, funciona também como proteção: sem cotação diária, o investidor fica menos exposto à volatilidade de curto prazo que afeta ativos negociados em bolsa.

Para ele, a atratividade de carros clássicos especificamente vem de uma combinação pouco comum entre outros colecionáveis: apelo global, já que um modelo raro desperta interesse de comprador em qualquer continente, e uso direto, algo que uma obra de arte guardada em cofre ou um vinho fechado na garrafa não oferecem da mesma forma.

Uma classe de ativo que ainda carece de estrutura no Brasil

Mercados como Estados Unidos e Europa já contam com índices consolidados, casas de leilão especializadas e gestoras dedicadas ao segmento de veículos clássicos, estrutura que ainda engatinha no Brasil, apesar do crescimento recente de encontros, feiras e comunidades de colecionadores pelo país. Fundos internacionais dedicados a supercarros de marcas como Ferrari, Bugatti e Maserati já oferecem acesso fracionado ao ativo, reduzindo a barreira de entrada que antes restringia esse tipo de investimento a poucos colecionadores com capital suficiente para comprar o carro inteiro.

Segundo Mário Augusto de Castro, replicar essa estrutura no Brasil exige mais do que capital disponível: demanda curadoria técnica capaz de avaliar originalidade, procedência e estado de conservação com rigor equivalente ao que já existe nesses mercados mais maduros, algo que o país ainda não desenvolveu em escala relevante.

O papel da gestão patrimonial em bens de nicho

O crescimento da demanda por gerenciamento profissional de coleções também aparece em relatórios do setor de gestão de patrimônio, acompanhando o interesse crescente de famílias em transferir esse tipo de ativo entre gerações de forma organizada. Mário Augusto de Castro observa que esse movimento tende a se repetir com carros clássicos à medida que o mercado brasileiro amadurece: hoje, a maior parte das coleções segue sem qualquer estrutura formal de avaliação, seguro ou planejamento sucessório.

Para o empresário, o principal sinal de que esse mercado está prestes a se profissionalizar no Brasil não será o lançamento de um produto isolado, mas o surgimento de mais de uma gestora competindo pela mesma tese ao mesmo tempo, o que costuma indicar que a demanda já atingiu escala suficiente para justificar investimento institucional contínuo no segmento.

Mário Augusto de Castro acrescenta que essa profissionalização, quando chegar, deve beneficiar também quem já possui carros clássicos sem qualquer intenção de vendê-los: avaliação técnica mais rigorosa, seguro especializado e curadoria de procedência tendem a se tornar padrão de mercado, e não mais servirem como técnico ou seguro especializado a se tornar padrão de mercado.

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