Gestão de riscos financeiros ganha peso entre empresas em cenário de juros altos, aponta Valdoir Slapak
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 12 de agosto de 2026
Volatilidade cambial, custo de crédito elevado e oscilação de preços de commodities levam companhias a reforçar estruturas de proteção financeira, tema que ganha espaço em conselhos e comitês de finanças.
O ambiente de juros elevados e crédito mais seletivo tem alterado a forma como empresas brasileiras avaliam risco. Setores expostos a variações cambiais e de commodities, como agronegócio, indústria e comércio exterior, passaram a tratar a gestão de riscos financeiros como parte central do planejamento, e não apenas como uma função de retaguarda ligada à tesouraria.
Esse movimento reflete uma mudança de postura em conselhos de administração e comitês executivos. Decisões que antes ficavam restritas a áreas técnicas de finanças passaram a integrar discussões estratégicas sobre capital, endividamento e exposição a mercados voláteis, especialmente em companhias com operações internacionais ou dependência de insumos importados.
Da tesouraria para o centro da estratégia
Executivo com atuação em administração, finanças e gestão de riscos em ambientes complexos, Valdoir Slapak observa que a gestão de riscos financeiros deixou de ser tratada como rotina operacional em boa parte das empresas brasileiras. Ele nota que companhias com maior maturidade financeira já incorporam cenários de estresse em seu planejamento orçamentário, testando o impacto de choques cambiais, elevação de juros e quedas abruptas de receita sobre o caixa disponível.
O executivo explica que esse tipo de análise, conhecida como teste de estresse ou cenário adverso, ajuda a antecipar decisões que, de outra forma, seriam tomadas sob pressão. Empresas que simulam previamente uma queda de vinte ou trinta por cento na receita, por exemplo, chegam a um momento de crise real com alternativas já mapeadas, em vez de precisar construí-las às pressas.
Hedge, liquidez e o custo de não se proteger
No caso de companhias ligadas ao agronegócio e à indústria exportadora, a exposição cambial é um dos riscos mais monitorados. Operações de hedge, contratos futuros e instrumentos de proteção cambial ajudam a reduzir a volatilidade do resultado, mas exigem estrutura técnica e governança para evitar que a proteção se transforme, ela mesma, em fonte de risco.
Valdoir Slapak pondera que erros de dimensionamento em operações de proteção financeira costumam surgir quando a empresa trata o hedge como aposta direcional, e não como instrumento de redução de incerteza. Essa distinção separa companhias com gestão de riscos financeiros madura daquelas que acabam ampliando sua exposição justamente ao tentar se proteger dela.
A gestão de liquidez segue a mesma lógica. Empresas com colchão de caixa insuficiente para honrar compromissos de curto prazo ficam mais vulneráveis a choques externos, mesmo quando a operação principal do negócio é saudável. O acompanhamento constante do fluxo de caixa projetado, e não apenas do resultado contábil, tornou-se central para antecipar problemas antes que eles se tornem visíveis nos balanços.
Crédito mais caro exige revisão de estrutura de capital
Com o custo de capital mais alto, empresas endividadas em moeda estrangeira ou atreladas a índices de juros variáveis enfrentam pressão adicional sobre o serviço da dívida. A revisão da estrutura de capital, incluindo prazo médio de dívidas e proporção entre capital próprio e de terceiros, voltou a ganhar prioridade em discussões de diretoria.
Essa reavaliação passa também pela relação com bancos e investidores. Empresas que mantêm comunicação transparente sobre sua exposição a riscos financeiros tendem a negociar condições de crédito mais favoráveis, já que credores avaliam não apenas o resultado presente, mas a capacidade da companhia de atravessar cenários adversos sem comprometer sua operação.
Um tema que deixou de ser técnico para se tornar estratégico
A gestão de riscos financeiros deve continuar ganhando espaço em pautas corporativas enquanto persistir o cenário de juros elevados e volatilidade em mercados de commodities e câmbio. Para Valdoir Slapak, empresas que tratam o tema como parte da estratégia, e não como formalidade de compliance, tendem a atravessar ciclos adversos com menos ruptura operacional e financeira.
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