Fundos de infraestrutura enfrentam cenário mais seletivo em 2026, avalia ID CTVM
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 13 de agosto de 2026
Após ciclo de captações elevadas, mercado de debêntures incentivadas passa por reprecificação de risco, reforçando o papel da governança na administração dos fundos FI-Infra
Os Fundos Incentivados de Investimento em Infraestrutura, os FI-Infra, atravessam em 2026 um momento de maior seletividade depois de um ciclo de captações elevadas nos últimos anos. O mercado primário de debêntures incentivadas registrou meses de volume mais fraco de emissões, na casa de R$ 6 bilhões, enquanto o movimento de abertura dos spreads de crédito ao longo do primeiro semestre elevou o carrego das estratégias e ampliou a perspectiva de retorno futuro para quem já está posicionado. O cenário contrasta com o papel ainda relevante da infraestrutura no mercado de capitais como um todo: dos recursos captados via debêntures no primeiro semestre de 2026, 43,1% foram destinados a projetos do setor, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA).
Isenção fiscal segue como atrativo estrutural
Criados para direcionar poupança privada a projetos de longo prazo, os FI-Infra aplicam recursos em debêntures incentivadas emitidas por empresas dos setores de saneamento básico, transporte, energia e telecomunicações, entre outros. A isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos, tanto para o fundo quanto para o investidor pessoa física, segue como um dos principais atrativos estruturais da modalidade, ao lado da exposição a projetos de infraestrutura historicamente associados a fluxos de caixa previsíveis e prazos longos de maturação. Negociados em bolsa, esses fundos também oferecem liquidez diária ao investidor final, um diferencial em relação ao investimento direto em projetos de infraestrutura, que costuma exigir horizontes de alocação muito mais longos.
A diversidade setorial das debêntures incentivadas também contribui para a resiliência das carteiras. Projetos de saneamento tendem a apresentar fluxo de caixa mais previsível e menos sensível ao ciclo econômico, enquanto ativos ligados a rodovias e energia costumam refletir mais diretamente o nível de atividade da economia real. Gestores especializados combinam essas diferentes exposições para equilibrar previsibilidade de retorno e potencial de valorização das carteiras ao longo do tempo.
Segundo Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, a desaceleração das novas emissões não deve ser interpretada como perda de relevância do instrumento, mas como um ajuste natural de ciclo.
“O mercado de infraestrutura brasileiro segue com uma agenda robusta de projetos que precisam de financiamento de longo prazo. O que estamos vendo agora é uma repactuação do preço do risco, não um esgotamento da demanda por esse tipo de ativo”, pondera o executivo.
Reprecificação de risco exige mais rigor na seleção de ativos
Com spreads de crédito mais elevados e um número menor de novas emissões disponíveis, gestores de fundos FI-Infra passam a depender ainda mais de critérios rigorosos de seleção e monitoramento dos ativos já incorporados às carteiras. Isso inclui acompanhamento de covenants contratuais, análise periódica da capacidade de pagamento dos emissores e verificação constante das garantias vinculadas aos projetos, funções que cabem diretamente aos administradores fiduciários responsáveis pelos fundos. Nesse ambiente, a diferença entre uma carteira bem construída e uma carteira exposta a riscos de concentração passa, cada vez mais, pela qualidade da diligência aplicada antes da alocação, e não apenas pelo retorno nominal oferecido pelos papéis disponíveis no mercado.
Infraestrutura de mercado sustenta expansão do setor
A ID CTVM é habilitada pela CVM e pela ANBIMA para exercer administração fiduciária, custódia qualificada e controladoria de fundos estruturados, incluindo veículos voltados a ativos de infraestrutura. A companhia atende mais de 9 mil contas operacionais ativas e opera com ecossistema de portais integrados por APIs, capaz de acompanhar em tempo real a movimentação financeira de projetos com múltiplos vencimentos e amortizações programadas ao longo de décadas.
Cerca de 74% da carteira sob administração da instituição foi constituída organicamente, o que, segundo a companhia, favorece o acompanhamento próximo de cada ativo desde sua estruturação inicial.
“Um projeto de infraestrutura pode levar vinte, trinta anos até o vencimento final dos papéis que o financiam. A instituição responsável pela custódia e pela controladoria precisa ter capacidade de acompanhar esse ativo com o mesmo rigor no primeiro e no último ano da operação”, afirma o diretor da ID CTVM.
Próximo ciclo depende da qualidade dos projetos financiados
Concessões de rodovias, terminais portuários e sistemas de saneamento em fase de estruturação devem manter o pipeline de novas emissões aquecido nos próximos anos, ainda que em ritmo mais gradual do que o observado no ciclo anterior. Para gestores e administradores fiduciários, o desafio passa a ser menos sobre volume disponível de papéis e mais sobre a capacidade de selecionar, monitorar e reportar com precisão o desempenho de cada projeto financiado.
A expectativa entre especialistas é que o mercado de FI-Infra volte a ganhar tração à medida que o cenário de spreads se estabilize e novos projetos de concessão avancem para a fase de captação. Até lá, a diferenciação entre fundos deve passar cada vez mais pela qualidade da governança, pela solidez da due diligence aplicada aos projetos financiados e pela robustez da infraestrutura de custódia e controladoria que sustenta cada operação ao longo de seu ciclo de vida.
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