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Conselheiro de administração, André Faria analisa o novo peso da tecnologia na governança corporativa
Por SAFTEC DIGITAL

Conselheiro de administração, André Faria analisa o novo peso da tecnologia na governança corporativa

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 29 de outubro de 2026

Decisões sobre dados, automação e segurança deixaram o nível operacional e passaram a exigir acompanhamento direto dos órgãos de administração das companhias.

Diante das mudanças que reorganizam a pauta dos conselhos, André de Barros Faria, conselheiro de administração com formação em governança corporativa pelo IBGC, analisa como a tecnologia chega a esse nível de decisão na forma de indicadores. Durante muito tempo, o tema figurava como item de infraestrutura, discutido em relatórios técnicos e delegado integralmente à diretoria executiva. A dependência operacional de sistemas automatizados alterou esse enquadramento. O que antes representava custo de manutenção passou a reunir risco, vantagem competitiva e responsabilidade legal em um único assunto, posição que exige vocabulário novo de quem acompanha a administração da empresa.

O que o conselho precisa saber sobre o que foi automatizado?

A pergunta parece simples e costuma não ter resposta organizada. Muitas companhias não dispõem de inventário atualizado sobre quais decisões ocorrem sem intervenção humana, quais critérios as orientam e quem respondeu pela definição desses critérios. A informação se dispersa entre áreas técnicas, fornecedores e contratos antigos. Quando surge um incidente, a reconstrução do que aconteceu consome semanas, prazo incompatível com a exigência de comunicação ao mercado e aos órgãos reguladores.

Na avaliação de André de Barros Faria, o conselho precisa dimensionar o risco embutido em processos que operam sem supervisão direta antes de aprovar novas frentes de automação. O exercício não trata de impedir o avanço tecnológico, mas de conhecer a extensão do que já opera de forma independente. A diferença entre supervisionar e desconhecer determina a capacidade de reagir quando o comportamento do sistema foge do previsto, situação que tende a ocorrer em algum momento.

“A governança começa quando o conselho sabe onde a inteligência artificial participa das decisões, quem responde por ela e quais limites não podem ser ultrapassados”, afirma André de Barros Faria.

Governança corporativa deixa de olhar apenas para o passado

O modelo tradicional de supervisão se organiza em torno de demonstrações financeiras, auditorias e relatórios de conformidade, todos voltados ao exame de fatos consumados. O ritmo da automação não acompanha esse calendário, porque um erro de critério em sistema automatizado se multiplica em horas, não em trimestres. A governança corporativa precisa, assim, incorporar mecanismos de acompanhamento contínuo, com alertas definidos previamente e limites que disparem revisão antes do fechamento do período.

Na análise de André Faria, é necessário separar o que pode operar sem aprovação humana do que exige validação caso a caso, divisão que serve de referência para a fixação de alçadas. A fronteira entre as duas categorias não é técnica apenas, pois envolve apetite a risco, exposição reputacional e exigência regulatória do setor. Conselhos que delegam integralmente essa definição à área técnica transferem decisão estratégica para o nível operacional, movimento que costuma ser percebido tarde.

A próxima exigência recai sobre a competência técnica dos conselhos

A composição dos órgãos de administração começa a refletir essa mudança, com busca crescente por membros capazes de interpretar temas de dados, segurança e automação sem depender integralmente de tradução externa. A tendência não elimina a presença de perfis financeiros e jurídicos, apenas acrescenta uma competência que antes era considerada acessória. Programas de formação executiva passam a incluir o assunto com profundidade maior que a de uma apresentação introdutória.

André de Barros Faria defende a tradução de indicadores técnicos para a linguagem de negócio, condição para que a discussão avance além do relatório de incidentes e alcance a avaliação de oportunidades. Sem esse repertório comum, o conselho tende a oscilar entre dois extremos igualmente custosos: a aprovação automática de tudo o que a área técnica propõe e a resistência indiscriminada a qualquer investimento. O equilíbrio exige entendimento, e entendimento exige linguagem compartilhada.

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