Compliance não é departamento, é cultura: a leitura de Ricardo Brockveld sobre integridade em serviços regulado
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 15 de outubro de 2026
Diretor da ArqCONAM, Ricardo Brockveld defende que, em operações sob concessão pública, conformidade só funciona quando deixa de ser exigência formal e passa a orientar decisões do dia a dia .
O debate sobre compliance no Brasil costuma girar em torno de grandes corporações e de setores historicamente marcados por escândalos, como construção civil e infraestrutura. Menos discutida, porém igualmente crítica, é a realidade de operações de baixa visibilidade pública e alta sensibilidade jurídica, caso do registro eletrônico de garantias financeiras. Ricardo Brockveld, diretor da ArqCONAM, concessionária responsável por esse registro no estado do Amazonas, construiu ao longo da carreira uma visão sobre o tema que vai além do discurso regulatório padrão.
“Compliance não pode ser um departamento que existe para responder auditoria. Ele precisa atravessar todas as áreas, porque uma decisão operacional simples — um prazo, um critério de validação de documento — carrega implicação jurídica direta sobre direitos de terceiros”, afirma o executivo.
Integridade como valor operacional, não apenas institucional
Para Brockveld, a diferença entre uma empresa que cumpre regras e uma empresa íntegra está na tradução do discurso em critério de decisão cotidiana. É um ponto que ele levanta com frequência ao analisar por que organizações fiscalizadas continuam vulneráveis a riscos institucionais, mesmo com políticas de compliance formalmente instituídas.
“Toda empresa tem um código de conduta bonito guardado na gaveta. O que separa discurso de prática é ter protocolo claro para lidar com ambiguidade documental, hierarquia de decisão bem definida e exceção sempre justificada perante auditoria externa”, explica
Proteção de dados como espelho da cultura institucional
Ao tratar da Lei Geral de Proteção de Dados, Brockveld evita o enquadramento puramente jurídico e propõe uma leitura de gestão: a forma como uma organização lida com dados de terceiros revela sua cultura de integridade — não apenas sua conformidade legal.
“Empresa que trata proteção de dados só como exigência jurídica age de forma reativa, corrigindo depois que o problema já aconteceu. Quem internaliza isso como cultura antecipa risco antes que ele vire incidente”, pont
Formação de equipes como sustentação da conformidade
Um dos pilares que Brockveld mais reforça em sua gestão na ArqCONAM é a capacitação contínua das equipes operacionais. Para ele, normas bem escritas têm efeito limitado se quem as aplica no dia a dia não compreende seu propósito real.
“Não adianta ter processo bem desenhado se a pessoa que executa não entende por que aquela etapa existe. A ArqCONAM mantém uma plataforma própria de educação corporativa justamente para isso — segurança da informação e conduta institucional integradas à rotina, não como treinamento pontual”, diz.
Fiscalização como oportunidade de aprimoramento institucional
Brockveld também desafia a leitura mais comum sobre auditorias e fiscalizações de órgãos concedentes. Em vez de tratá-las como risco reputacional, ele as posiciona como mecanismo de aprimoramento contínuo.
“Empresa madura em compliance não encara fiscalização como ameaça. Encara como validação externa de que o processo interno é sólido — e isso reforça credibilidade diante de parceiros financeiros e reguladores”, avalia
Conformidade como ativo de longo prazo
Ao final, a análise institucional sobre compliance em serviços regulados converge para um ponto estrutural: conformidade não é custo, é investimento em sustentabilidade institucional de longo prazo. Organizações que tratam esse tema de forma superficial tendem a acumular riscos latentes, que se manifestam justamente nos momentos de maior pressão operacional ou de escrutínio público mais intenso.
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