Antes da Pietà, havia Carrara: Antonella Giancoli e a Benarrivati seguem o caminho do mármore da montanha à escultura
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 6 de novembro de 2026
Nos Alpes Apuanos, pedreiras ainda em atividade, vestígios da antiga ferrovia do mármore e os ateliês de Pietrasanta mostram o percurso da pedra que atravessou séculos de arte italiana
Vistas da costa toscana, as encostas dos Alpes Apuanos parecem cobertas de neve mesmo no verão. O branco vem das pedreiras de Carrara, exploradas desde a Antiguidade e ligadas a algumas das obras mais conhecidas da história da escultura. Michelangelo esteve na região ainda jovem para procurar o mármore destinado à Pietà do Vaticano e voltaria outras vezes em busca de blocos para seus trabalhos. Para Antonella Giancoli, fundadora e CEO da Benarrivati, começar pela montanha ajuda a mudar a maneira como uma família observa depois uma escultura pronta.
Onde começa a escultura
Carrara continua sendo um território de extração. Fantiscritti, Torano e outros pontos dos Alpes Apuanos formam uma paisagem marcada por paredes de mármore abertas na montanha, estradas usadas para o transporte dos blocos e áreas de trabalho que permanecem ativas. Em Fantiscritti, registros locais preservam inclusive a memória das passagens de Michelangelo e Canova pela região.
A escala ajuda a compreender algo difícil de perceber diante de uma obra em um museu. Antes de ser polido, o mármore aparece como parte de uma montanha e precisa ser extraído, selecionado e transportado. Foi esse processo que levou Michelangelo a Carrara em 1497, quando procurava um bloco adequado para executar a Pietà encomendada em Roma.
Hoje, o acesso depende das características de cada área. Pedreiras em operação seguem regras próprias de segurança e as visitas precisam ser organizadas de acordo com os locais autorizados. A região também possui áreas históricas de extração abertas à visitação, como Fossacava, antiga cava romana com estrutura de recepção e visitas guiadas.
A ferrovia que descia o mármore
A necessidade de levar blocos cada vez maiores até o vale transformou também a infraestrutura de Carrara. Os primeiros trechos da Ferrovia Marmifera foram inaugurados em 1876 para conectar as áreas de extração às serrarias e ao litoral. Com a expansão concluída no fim do século XIX, a rede alcançava cerca de 22 quilômetros, além de aproximadamente dez quilômetros de ramais industriais.
Os Ponti di Vara permanecem como uma das marcas mais visíveis desse sistema. Construídos para permitir que a ferrovia atravessasse os vales entre os diferentes bacini marmiferi, hoje fazem parte da estrada que conduz às pedreiras. A ferrovia deixou de operar em 1964, quando o transporte rodoviário substituiu definitivamente os trilhos.
Da pedra bruta ao ateliê
Na curadoria da Benarrivati, a sequência da visita procura acompanhar justamente essa transformação. Primeiro vem a montanha e a extração; depois, o trabalho de quem recebe o bloco e começa a lhe dar forma.
“Quando estamos diante da Pietà ou do Davi, é fácil esquecer que tudo começou com alguém olhando para uma parede de pedra e escolhendo um bloco. Em Carrara, essa origem fica muito concreta. A família percebe a escala da montanha, vê como o mármore é retirado e entende o trabalho necessário antes mesmo de o escultor começar. Depois, chegar a um ateliê e acompanhar a pedra sendo trabalhada completa essa história de uma maneira que um museu sozinho não consegue mostrar”, afirma Antonella Giancoli.
Pietrasanta funciona como continuação natural desse percurso. A cidade tornou-se um centro internacional da escultura e ganhou o apelido de “Piccola Atene” pela concentração de artistas, laboratórios de mármore e fundições que mantêm uma relação direta com a produção contemporânea.
O Museo dei Bozzetti ajuda a mostrar uma etapa normalmente invisível desse processo. Criado em 1984, reúne mais de mil modelos e estudos, principalmente em gesso, ligados a mais de 380 artistas italianos e estrangeiros que trabalharam nos laboratórios de Pietrasanta e da Versilia. Em vez de apresentar apenas a obra acabada, o museu permite acompanhar o caminho entre a ideia inicial e sua execução em mármore ou bronze.
Nas ruas, essa tradição continua fora dos museus. O Parco Internazionale della Scultura Contemporanea reúne mais de 80 obras monumentais distribuídas pelos espaços públicos da cidade, entre elas trabalhos ligados a artistas que mantiveram relação próxima com Pietrasanta, como Fernando Botero e Igor Mitoraj.
Entre Carrara e Pietrasanta, o mármore deixa de aparecer apenas como material de obras célebres e passa a ser entendido como parte de uma cadeia de conhecimento: começa dentro da montanha, atravessa uma história de extração e transporte e chega às mãos de artesãos e escultores. Para quem depois reencontra a mesma pedra em uma igreja ou museu italiano, a obra pronta passa a carregar também a memória de onde veio.
Sobre a Benarrivati
Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.
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