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Concreto aparente vira símbolo de luxo na arquitetura contemporânea
Por PressWorks

Concreto aparente vira símbolo de luxo na arquitetura contemporânea

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 28 de julho de 2026

Movimento internacional chamado de “soft brutalism” resgata o material estrutural como elemento de exclusividade e autoria. O arquiteto João Martin, referência brasileira no tema, explica por que nenhuma superfície pode ser reproduzida exatamente igual

Há um paradoxo discreto no coração da arquitetura de alto padrão contemporânea: o mesmo material que por décadas foi associado às estruturas brutas e inacabadas da construção civil tornou-se um dos acabamentos mais desejados por clientes exigentes no Brasil e no exterior. O concreto aparente vive um momento de consolidação como linguagem arquitetônica sofisticada e relatórios de tendências para 2026 confirmam essa virada, apontando o material entre as principais apostas do design residencial premium, dentro de um movimento que o mercado internacional já batizou de soft brutalism.

A lógica por trás dessa transformação é direta: o conceito de luxo mudou. Se antes o cliente de alto padrão buscava ornamentação exuberante e materiais nobres à vista, hoje ele busca autenticidade, singularidade e permanência. “O concreto aparente ocupa hoje o mesmo patamar de materiais naturais como madeira, pedra e aço corten. Ele transmite uma estética atemporal e, principalmente, aquilo que nenhum revestimento industrializado consegue oferecer: cada superfície é única e impossível de ser reproduzida exatamente da mesma forma”, afirma João Martin, arquiteto e urbanista com mais de 21 anos dedicados ao desenvolvimento e à execução de arquitetura em concreto aparente.

O que para olhos leigos pode parecer imperfeição é, para especialistas, justamente o valor do material. Variações de tonalidade, textura, marcas das fôrmas e poros naturais são a expressão do processo construtivo, assim como veios numa pedra natural ou a grã de uma madeira maciça. Nenhuma parede de concreto aparente se repete. “Estamos falando de um retorno ao valor do trabalho artesanal numa época em que quase tudo é industrializado e padronizado. O cliente deixou de procurar apenas materiais caros; ele busca experiências, identidade e arquitetura autoral”, explica Martin.

Mas a singularidade do concreto aparente tem um preço técnico alto. Diferentemente de revestimentos convencionais, não há possibilidade de corrigir imperfeições depois da concretagem com reboco, massa ou pintura. Cada detalhe precisa ser planejado antes mesmo de o concreto ser lançado. O resultado depende da integração entre arquitetura, engenharia, carpintaria, tecnologia do concreto e mão de obra altamente especializada. “Quanto mais simples parece o resultado final, maior costuma ser o desafio técnico para alcançá-lo”, observa Martin.

À frente do escritório Martin Arquitetura + Engenharia e da construtora MRTN Inc., Martin acumula 266 projetos residenciais desenvolvidos, com cerca de 129 mil m² projetados em 11 estados brasileiros, além de obras nos Estados Unidos, em Portugal e no Paraguai. Sua metodologia de obtenção de superfícies arquitetônicas de alta qualidade foi desenvolvida ao longo de mais de duas décadas de pesquisa e acompanhamento de obras e também é prestada como consultoria especializada a construtoras, incorporadoras e escritórios de arquitetura, já atendendo mais de 30 clientes em cerca de 20 cidades brasileiras e um cliente internacional em Miami, na Flórida.

Percebendo a escassez de conhecimento técnico sistematizado sobre o tema, Martin fundou a Segredos do Concreto Aparente, a primeira plataforma de ensino da América Latina dedicada exclusivamente ao concreto aparente arquitetônico. A metodologia já formou mais de 1.200 profissionais entre arquitetos, engenheiros, construtores e estudantes no Brasil e em países como Argentina, Chile, México, Colômbia, Portugal e Estados Unidos.

O reconhecimento de sua trajetória extrapola fronteiras. Martin é membro do American Institute of Architects (AIA) e do American Concrete Institute (ACI), principal instituição mundial de referência técnica em concreto com normas adotadas em mais de 120 países. No Brasil, integra o IAB/RS e o SENGE/RS, e foi professor de Arquitetura e Urbanismo na ULBRA entre 2015 e 2019. Seu portfólio editorial inclui sete projetos publicados no ArchDaily e cinco indicações ao prêmio Building of the Year da plataforma. Entre os projetos de maior destaque estão a Casa M31, vencedora do Prêmio Sinduscon RS 2017, a Casa i10, premiada no Visual & Design 2018, e a Casa C5, eleita entre as 50 Melhores Casas do Ano pelo ArchDaily Brasil em 2019.

Sobre João Martin

Arquiteto e urbanista registrado no CAU/RS desde agosto de 2004, João Batista D’avila Martin Martin é sócio-fundador da Martin Arquitetura + Engenharia e da MRTN Inc. É membro do American Institute of Architects (AIA), do American Concrete Institute (ACI), do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/RS) e do Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (SENGE/RS). É também fundador da Segredos do Concreto Aparente, primeira plataforma de ensino da América Latina dedicada ao concreto aparente arquitetônico.

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