Como um brasileiro está convencendo a América Latina de que comprar nem sempre é o melhor negócio
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 13 de julho de 2026
À frente da expansão internacional da Casa do Construtor, Bruno Eloel Arena lidera a exportação de um modelo de negócios baseado em acesso, eficiência e gestão de capital, desafiando a cultura de que crescer significa necessariamente comprar mais equipamentos
Durante muito tempo, o sucesso de uma empresa era medido pelo tamanho do seu patrimônio. Quanto mais máquinas, equipamentos e ativos, maior parecia ser sua solidez. A lógica ajudou a construir boa parte da economia latino-americana e ainda está presente em diversos setores.
Mas uma mudança silenciosa vem ganhando espaço. Em vez de investir capital para adquirir bens que serão usados apenas em momentos específicos, empresas começam a priorizar liquidez, eficiência operacional e acesso sob demanda. É a mesma transformação que levou consumidores a trocar CDs pelo streaming, carros pelo aplicativo e servidores físicos pela computação em nuvem. Agora, esse raciocínio chega à construção civil.
É nesse contexto que o brasileiro Bruno Eloel Arena conduz a expansão internacional da Casa do Construtor, onde é vice-presidente internacional. Seu principal desafio não é abrir unidades em novos países. É convencer os empresários de que em muitos casos possuir um equipamento deixou de ser uma vantagem competitiva.
A resistência é compreensível. Em boa parte da América Latina, comprar ainda é visto como sinônimo de segurança. O equipamento representa patrimônio, transmite estabilidade e, muitas vezes, é entendido como um indicador de crescimento empresarial. Alterar essa percepção exige muito mais do que um bom modelo de franquias.
Antes de inaugurar uma operação, o executivo e equipe dedicam tempo para compreender como cada mercado funciona, como empresários tomam decisões de investimento e quais fatores influenciam a gestão financeira local. O trabalho passa por adaptação cultural, formação de equipes e demonstração prática de que preservar capital pode gerar mais valor do que imobilizá-lo em ativos de baixa utilização.
A discussão acompanha uma tendência global. Empresas de diferentes segmentos têm reduzido investimentos em bens próprios para direcionar recursos à expansão, inovação e ganho de produtividade. O conceito de propriedade perde espaço para o conceito de disponibilidade. O importante deixa de ser possuir um equipamento e passa a ser utilizá-lo exatamente quando ele gera retorno.
Na construção civil, essa mudança tem impacto direto sobre a competitividade. Equipamentos permanecem ociosos durante grande parte do tempo, exigem manutenção constante, sofrem depreciação e comprometem recursos financeiros que poderiam ser aplicados em outras áreas do negócio. A locação transforma custos fixos em variáveis e oferece flexibilidade para responder às oscilações do mercado.
O movimento liderado por Bruno Arena revela outro aspecto pouco debatido. O Brasil deixou de ser apenas importador de modelos de gestão para começar a exportá-los. Se durante décadas empresas brasileiras buscaram inspiração em mercados mais maduros, hoje algumas organizações nacionais começam a levar conhecimento, processos e cultura empresarial para outros países da América Latina.
“Essa talvez seja a parte mais relevante da história. A internacionalização da Casa do Construtor representa a expansão de uma rede de franquias e sinaliza a disseminação de uma nova lógica econômica, na qual acesso supera propriedade, eficiência vale mais do que acúmulo de ativos e crescimento depende menos do que se possui e mais da capacidade de utilizar recursos de forma inteligente”, destaca o executivo.
A pergunta deixa de ser quanto patrimônio uma empresa acumula. A questão passa a ser outra. Faz sentido continuar comprando tudo aquilo que pode ser acessado de maneira mais eficiente?

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