Pecuária brasileira exporta genética, técnica e conhecimento
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 14 de agosto de 2026
Especialistas presentes na 63ª EXPO Rio Preto atestam o protagonismo brasileiro em um segmento com elevado valor agregado.
Maior produtor e exportador de carne bovina, o Brasil “abre as porteiras” para além da comercialização de commodity. Respeitada e reconhecida mundialmente, a pecuária nacional também se consolida em um segmento com alto valor agregado: a exportação de genética zebuína, tecnologia reprodutiva e conhecimento técnico para dezenas de países.
A expertise no assunto e a evolução constante do gado brasileiro foram comprovadas durante a 63ª edição da EXPO Rio Preto, maior feira agropecuária do Noroeste Paulista, que segue até domingo, 16 de agosto.
Com uma ampla programação, o evento contou com competições para julgar o gado de elite, tanto de leite quanto de corte. Entre os destaques, a Etapa Ouro do Ranking Nelore consagrou a vaca Courchevel FIV CBA como a Grande Campeã.
Números do mercado sustentam essa análise. O Brasil se consolidou como um grande fornecedor de genética animal. Divulgado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial, o Index ASBIA constatou que o País exportou 1,1 milhão de doses de sêmen bovino em 2025, crescimento de 34% na comparação com o ano anterior.
Se os números se sustentarem, 2026 promete ser ainda melhor. Ainda de acordo com dados da ASBIA, 155.574 doses foram exportadas no primeiro trimestre, o que representa alta de 35,4% na comparação com o mesmo período de 2025.
Recentemente, o Brasil também realizou a primeira exportação de embriões zebuínos produzidos in vitro para o Peru. De acordo com notícia divulgada no site da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), os 125 embriões da raça Brahman serão utilizados tanto para pesquisas quanto para o melhoramento genético do gado em fazendas peruanas.
O berço do zebu agora compra tecnologia brasileira
Presente na EXPO Rio Preto, o presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, destacou o potencial do setor, com o material genético bovino brasileiro despontando em diversos países.
Entre os exemplos, o protagonismo brasileiro é confirmado pelo interesse até mesmo da Índia, berço do zebu, onde animais com material genético brasileiro já nasceram.
Em março, Borges esteve em Nova Delhi para a inauguração do escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). Na ocasião, ele também visitou fazendas e participou de uma exposição.
“Você vê o trabalho feito pelos criadores, técnicos e associações, um trabalho que se desenvolve a cada geração. A Índia, que é o berço do zebu, hoje utiliza o nosso material genético, principalmente para melhorar a produção leiteira”, afirmou Borges.
Genética exige manejo
Presidente da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), Mauricio Velloso afirma que a genética é uma “ferramenta extraordinária”. Para expressar todo o seu potencial, porém, alimentação e manejo adequados são necessários.
Há cerca de 40 anos, o engenheiro agrônomo e pecuarista de corte e de leite visualizou pela primeira vez o poder da genética para qualificar e transformar a pecuária brasileira. “Eu tive contato com o gado do cruzamento com a heterose, que é o cruzamento do zebuíno com animais taurinos, produzindo um bezerro diferente, mais robusto, bem mais pesado ao nascer e que se desenvolvia melhor”, afirma.
Ao criar esse gado em pastagens com maior valor nutricional, Velloso identificou que os bezerros se desenvolveram de uma forma mais significativa. “Primeiro, descobri ali que a genética era uma ferramenta impressionante. Além disso, entendi que as pastagens, feitas em integração com a lavoura, fertilizadas e adubadas, davam um resultado muito diferente”, disse.
Com todo o conhecimento adquirido em décadas e os resultados obtidos, o especialista afirma que o aprimoramento do processo produtivo deixou de ser uma alternativa e se tornou questão de sobrevivência no setor.
Genética na prática
Assim como Velloso, a Flamboyant Agropecuária também identificou na prática a importância do aprimoramento genético. Presente na EXPO Rio Preto com 20 animais, a qualidade do plantel do criatório é resultado de 119 anos de seleção da raça Nelore Mocho, desde que o fundador importou os primeiros animais para o estado de Goiás.
Cinco gerações depois, a empresa mantém o mesmo rigor na escolha dos acasalamentos, focada em um gado funcional, que alie características de genótipo e fenótipo. “Para chegarmos nesses troféus, são mais de 100 anos de seleção”, explica o superintendente da empresa, Marcos Flávio Pereira.

Segundo o gestor, um animal premiado em uma exposição padrão Ouro como a da EXPO Rio Preto chancela o bom trabalho realizado, demonstrando que as qualidades daquele animal serão transmitidas para o rebanho.
“Você consegue multiplicar mais essa genética, que contribuirá para o aumento de produtividade. Está aí o resultado do Brasil, que se tornou o maior produtor e exportador de carne bovina do mundo”, conclui Pereira.
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Serviço
63ª EXPO Rio Preto 2026
Data: até 16 de agosto de 2026
Local: Recinto de Exposições Alberto Bertelli Lucatto
Cidade: São José do Rio Preto (SP)
Entrada e estacionamento: gratuitos
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