Fraudes sofisticadas sobem quase 500%, mas avalanche de ‘deepfake caseiro’ acende alerta
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 9 de setembro de 2026
Unico barra R$ 19,6 bilhões em tentativas de golpe no semestre e alerta para a ascensão de deepfakes simples, criadas por pessoas comuns com apps acessíveis
As tentativas de fraudes sofisticadas cresceram quase 500% no primeiro semestre de 2026. Apesar disso, a participação desse tipo de ataque caiu de 61% para pouco mais de 14% no total de ocorrências. Os dados fazem parte do balanço divulgado pela Unico, rede líder em verificação de identidade na América Latina.
A queda, porém, não representa uma trégua nos ataques. O que mudou foi o tamanho da base de comparação. De acordo com a empresa, os registros de casos sofisticados foram diluídos pela avalanche de “deepfakes caseiros”, classificados como fraudes simples, que não possuem sofisticação técnica.
Em linhas gerais, esses ataques são orquestrados por pessoas comuns, com acesso a aplicativos baratos, tendo como vítimas familiares ou conhecidos. Os vídeos utilizam inteligência artificial (IA) generativa para manipular as imagens. A pouca sofisticação técnica desses ataques não consegue enganar o motor de prova de vida (tecnologia biométrica que valida se a pessoa está presente em tempo real). Por isso, são barrados nas camadas mais básicas de segurança.
Apesar da facilidade de combate, essa nova subcategoria de fraudes simples foi responsável pelo salto de 400% no volume desse segmento durante o primeiro semestre deste ano.
“Nossas auditorias recentes revelam um novo perfil de fraudador: indivíduos comuns usando apps de deepfake para se passar por familiares e aprovar cadastros ou transações”, afirma Fernanda Beato, General Manager da Unico no Brasil.
A executiva explica que essa situação abre espaço para o criminoso explorar a intimidade e o acesso aos dados da vítima. “A boa notícia é que, mesmo com IA, essas tentativas são facilmente barradas em nossa infraestrutura”, diz.
50 ataques por minuto
Ainda de acordo com o levantamento, a Unico barrou R$ 19,6 bilhões em tentativas de fraude no Brasil no primeiro semestre. O valor significativo representa alta de 23% na comparação com o mesmo período de 2025.
No total, foram registrados mais de 13 milhões de ataques em 23 setores econômicos que utilizam as soluções de verificação de identidade da empresa, uma média de 50 ações fraudulentas por minuto no País.
Em constante transformação, as tentativas de fraudes sofisticadas fecharam 2025 com um crescimento acima de 1.000%. A ousadia dos criminosos, porém, não estagnou. Muito pelo contrário.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, os ataques aumentaram quase 500% no primeiro semestre de 2026, superando todo o volume de fraudes sofisticadas registrado em 2025.
“O crime cibernético se profissionalizou e hoje opera em escala industrial, estruturado sob o modelo de fraud-as-a-service. Quadrilhas organizadas utilizam ferramentas altamente automatizadas e inteligência artificial para disparar investidas massivas”, avalia Fernanda.
Perigo real
Diferentemente dos ataques simples, as fraudes sofisticadas combinam o uso de deepfake com conhecimento técnico avançado do fraudador, que busca identificar e explorar vulnerabilidades no motor de prova de vida, como profundidade, textura e naturalidade da imagem. Em combinação, os criminosos também recorrem à injeção de software para simular uma captura ao vivo e burlar as camadas de segurança.
“As fraudes sofisticadas cresceram 24 vezes se considerarmos o ano de 2025 e o primeiro semestre de 2026. Trata-se de uma ameaça para a sociedade como um todo e nenhuma empresa consegue combatê-la sozinha, sem parceiros tecnológicos. Por isso, mantemos nossos sistemas em revisão e estresse contínuos, simulando novos vetores de ataque antes que se tornem tendência no mercado; e combinamos efeito de rede com metadados para identificar e bloquear fraudadores em série”, afirma Fernanda.
O crescimento e a intensidade desses ataques também foram apurados pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Divulgado em julho, relatório técnico do órgão identificou que o Brasil concentrou 39% dos casos de deepfake registrados na América Latina em 2025, com alta de 126% nos ataques que usam imagens, vozes e identidades falsas, na comparação com o ano anterior.
Para a Unico, o avanço da ação e da sofisticação dos fraudadores reflete a profissionalização do crime. “Naturalmente, os setores de maior liquidez imediata, como o financeiro, concentram os maiores volumes de ataques. Diante dessa ameaça hiperconectada, a verificação de identidade se consolidou como o pilar estratégico de sustentabilidade dos negócios no ambiente digital“, finaliza Fernanda.
À medida que a IA torna a criação de identidades falsas acessível a qualquer pessoa, a checagem biométrica precisa evoluir na mesma velocidade. Para cobrir essa brecha, soluções de verificação contínua tornam-se o pilar central para proteger ecossistemas financeiros e o varejo no país.
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