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Ollie: da carreira na mineração ao comando do conselho da Vale
Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, presidente do Conselho de Administração da Vale. Foto: Vale / Divulgação.

Ollie: da carreira na mineração ao comando do conselho da Vale

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 23 de julho de 2026

Aos 74 anos, Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira chega à presidência do conselho de administração da Vale carregando uma trajetória construída muito mais pela técnica do que pela exposição pública. Conhecido no mercado como Ollie, o conselheiro independente reúne mais de quatro décadas de experiência em finanças corporativas, com passagens por algumas das maiores empresas globais de mineração. Colegas o descrevem como um executivo sério e discreto, características que contrastam com a intensa disputa de governança que antecedeu sua eleição para o comando do colegiado.

Formado em Contabilidade e Economia de Negócios pela Universidade de Natal-Durban, na África do Sul, em 1973, Ollie aprofundou seus estudos em Teoria Contábil dois anos depois. Também é contador certificado por instituições profissionais da África do Sul e do Reino Unido, credenciais que sustentam sua atuação nas áreas de finanças e governança corporativa.

Sua carreira foi construída em empresas ligadas ao setor mineral. Na Anglo American e na De Beers, ocupou posições de liderança financeira, acumulando experiência em operações internacionais e também no Brasil. Ao longo desse percurso, trabalhou em áreas ligadas à auditoria, controles internos e gestão de riscos corporativos.

Ao longo da carreira, passou a integrar conselhos de empresas do setor de mineração e recursos naturais. Seu currículo inclui participações em companhias como Antofagasta, Polymetal International e Dominion Diamond Mines. Também passou pelo conselho da gestora BlackRock World Mining Trust e assumiu a presidência não executiva da mineradora britânica Jubilee Metals Group, ampliando sua atuação para além das funções estritamente financeiras.

Na Vale, Ollie ingressou como conselheiro independente em 2021. Desde então, passou a ocupar funções ligadas à estrutura de governança da companhia. Em 2023, tornou-se Lead Independent Director, coordenou o Comitê de Auditoria e Riscos e, em maio de 2025, passou a integrar também o Comitê de Sustentabilidade.

Sua ascensão à presidência do conselho, porém, ocorreu em meio a um ambiente de forte tensão entre diferentes grupos de interesse. Durante o processo de sucessão, surgiram debates públicos sobre os rumos da governança da companhia. Um dos episódios envolveu a possibilidade de uma parceria no negócio de minério de ferro com o empresário Joesley Batista. Após reportagem do jornal O Globo indicar que Ollie teria sugerido avaliar a operação, a Vale informou que não seguiria com o investimento, transformando o tema em mais um elemento da disputa pela presidência do colegiado.

Outro capítulo desse processo envolveu a investigação aberta pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre as circunstâncias da renúncia do então presidente do conselho, Daniel Stieler. Segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico, o caso inclui a análise de um acordo de compensação financeira relacionado ao pedido de saída. Paralelamente, a Previ defendeu a escolha de Ollie sob o argumento de que um presidente independente contribuiria para tornar mais transparente a elaboração da futura lista de candidatos ao conselho, prevista para 2027. Investidores privados, por sua vez, levaram questionamentos ao regulador sobre a atuação do fundo durante o processo.

Mesmo cercado por um cenário de disputas, Ollie manteve o perfil descrito por colegas ao longo da carreira: reservado, técnico e distante dos holofotes. Sua trajetória foi construída principalmente em conselhos de administração, comitês de auditoria e estruturas de governança, mais do que em posições de exposição pública.

Com mandato no conselho até abril de 2027, Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira assume a presidência em um período em que as discussões sobre governança devem permanecer no centro das atenções da Vale. Caberá à nova gestão conduzir o colegiado em meio às expectativas dos diferentes grupos de acionistas e ao processo de renovação previsto para 2027.

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