Invest Mining Talks debate caminhos para ampliar investimentos na mineração brasileira
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 30 de junho de 2026
Encontro realizado no BNDES debateu mecanismos para ampliar investimentos em minerais críticos, fortalecer o mercado de capitais nacional e estimular a agregação de valor à produção mineral
O fortalecimento do mercado de capitais para mineração, a ampliação dos instrumentos de financiamento e a construção de um ambiente mais competitivo para atrair investimentos ao setor foram os principais temas debatidos durante o Invest Mining Talks, realizado nesta terça-feira (30), na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro. O encontro reuniu representantes do governo, instituições financeiras, órgãos reguladores e entidades da mineração para discutir caminhos voltados ao desenvolvimento da cadeia de minerais críticos e estratégicos no Brasil.
Ao longo do evento, representantes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do BNDES, da Rede Invest Mining, da FINEP e da ABIMAQ defenderam maior integração entre políticas públicas, mercado financeiro e setor produtivo para ampliar a capacidade de financiamento de projetos minerais, especialmente nas fases iniciais de exploração, além de fortalecer a industrialização e a agregação de valor à produção nacional.
CVM defende prioridade para mineração no mercado de capitais
O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo, afirmou que a autarquia considera a agenda dos minerais críticos uma prioridade e defendeu a criação de condições para que empresas brasileiras deixem de buscar exclusivamente bolsas estrangeiras para captar recursos.
“Temos que olhar esse assunto como prioridade para o Brasil, sem sombra de dúvida. Eu assumi há um mês e entendo que isso tem que ser tratado em fast track, com prioridade máxima.”
Segundo Lobo, Canadá e Austrália desenvolveram, ao longo de décadas, um ecossistema regulatório e financeiro capaz de atender às necessidades das empresas de mineração, realidade que o Brasil precisa reproduzir.
“As empresas que hoje estão listadas em Toronto não precisam ficar lá para sempre. Para trazê-las de volta, ou para que as próximas não precisem ir, precisamos construir aqui o que elas foram buscar lá fora.”
O presidente da CVM também destacou que a autarquia já trabalha, em conjunto com a B3, em iniciativas como o regime Fácil e na tokenização do mercado de capitais, medidas que podem ampliar o acesso de empresas de menor porte aos investimentos privados.
BNDES amplia instrumentos para apoiar minerais críticos
O chefe do Departamento de Indústrias de Base Extrativa do BNDES, Flávio Mota, ressaltou que os minerais críticos se consolidaram como uma agenda estratégica para o setor público e privado,, diante do contexto geopolítico e da transição energética.
“O tema de minerais críticos e estratégicos é um tema estratégico para o país, mas, sem dúvida, também traz muitas oportunidades para investidores.”
Mota afirmou que o banco vem estruturando uma série de instrumentos para apoiar projetos em diferentes estágios de desenvolvimento, incluindo financiamento de longo prazo, participação acionária, fundos de investimento e soluções de project finance voltadas ao setor.
“Todas as principais áreas do banco relacionadas ao tema estão com equipes dedicadas e trabalhando intensamente na busca de ajudar o Brasil e todos os interessados a desenvolver e estruturar projetos para aproveitar a oportunidade do momento.”
Segundo ele, o BNDES busca atuar como parceiro na estruturação de projetos e na articulação com investidores nacionais e internacionais, fortalecendo a cadeia produtiva dos minerais críticos.
Rede Invest Mining defende fortalecimento do mercado brasileiro
Coordenador da Rede Invest Mining, Miguel Nery destacou que a iniciativa reúne instituições públicas e privadas para melhorar o ambiente de negócios da mineração e ampliar a atração de investimentos para o setor.
“Temos buscado trabalhar no aprimoramento da regulação, em mecanismos de financiamento, ESG e mineração e na estruturação de projetos, sempre para posicionar o Brasil na rota dos investimentos internacionais.”
Nery destacou que um dos principais objetivos da Rede é desenvolver condições para que empresas de mineração possam captar recursos no mercado brasileiro, reduzindo a dependência de bolsas internacionais.
“Hoje muitos dos nossos projetos precisam buscar capital nas bolsas do Canadá e da Austrália porque ainda não temos aqui as condições necessárias para viabilizar esse mercado. O Canadá tem cerca de 1.700 empresas de mineração listadas; no Brasil, não conseguimos mais do que três.”
Durante o evento, o coordenador entregou ao presidente da CVM o documento “Destravando o Valor da Mineração”, elaborado pela Rede Invest Mining em parceria com a B3, contendo propostas para aperfeiçoar a regulação do mercado de capitais voltada ao setor mineral.
BNDESPAR amplia investimentos em empresas de mineração
O chefe de Departamento da BNDESPAR, Guilherme Coeli, afirmou que a instituição reformulou sua estratégia de investimentos para priorizar projetos ligados à economia verde e aos minerais críticos.
“A gente reformulou totalmente a estratégia de investimento, focada muito na agenda de sustentabilidade e economia verde.”
Segundo ele, desde a mudança, a instituição já avaliou mais de 40 empresas do setor e estuda operações que podem estimular o desenvolvimento das chamadas junior mining companies, inclusive por meio de modelos como dupla listagem no mercado brasileiro.
FINEP amplia apoio à inovação na mineração
Representando a FINEP, Henrique Vasquez destacou que a instituição concentra seu apoio em ciência, tecnologia e inovação aplicadas ao setor mineral, especialmente em projetos voltados ao beneficiamento, refino e desenvolvimento de novas rotas tecnológicas.
“A ideia é realmente ser parceiro da empresa na incerteza, permitindo mitigar o risco tecnológico e desenvolver soluções inéditas para o Brasil.”
Segundo Vasquez, a chamada pública voltada à transformação mineral já recebeu dezenas de propostas e deve utilizar integralmente os recursos disponibilizados para estimular inovação e fortalecer a cadeia nacional de minerais críticos.
Cadeia mineral é apontada como base da transição energética
Representando a ABIMAQ, Alberto Machado afirmou que a transição energética reforça o protagonismo da mineração e amplia a demanda por minerais estratégicos.
“A transição energética não é uma mudança, é uma adição. A cada momento nós incorporamos novas fontes de energia, mas todas elas continuam fortemente dependentes da mineração.”
Segundo Machado, o Brasil reúne vantagens competitivas relevantes por possuir grandes reservas minerais, uma matriz elétrica predominantemente renovável e capacidade de ampliar sua participação na cadeia de transformação mineral.
“O que nos falta talvez seja ampliar nossa capacidade de refino e transformar matéria-prima em produtos de maior valor agregado. Temos todas as condições de transformar o Brasil em um polo soberano de tecnologias limpas.”
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