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A pesquisa mineral segue como alicerce do grande investimento
Para João Luiz de Carvalho, presidente da Geosol, o investidor que olha para o subsolo brasileiro precisa de dados, método e regras estáveis. O que ele não consegue precificar é a incerteza. Geologia nacional tem potencial para trilhar caminho semelhante ao agro, avalia Carvalho.

A pesquisa mineral segue como alicerce do grande investimento

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 21 de outubro de 2026

 

Paulo Vilas Boas

Em mais uma edição do Invest Mining Summit 2026, realizada no coração financeiro do país, o painel “Pesquisa Mineral: Etapas para a segurança dos financiamentos” trouxe João Luiz de Carvalho, da Geosol, que subiu ao palco para apresentar a geologia brasileira a quem decide onde aplicar capital.

Ele resumiu a missão com bom humor: estava ali, mais uma vez, “passando o chapéu” para atrair quem ainda não enxergou a mineração como destino natural de recursos.

A comparação que escolheu como ponto de partida foi o agronegócio. O Brasil virou referência mundial em produção agrícola e em tecnologia, e a geologia nacional tem potencial para trilhar caminho semelhante.

Para isso, apresentou sete pilares que sustentam o retorno de um projeto mineral: teor, previsibilidade, recuperação, investimento inicial, retorno rápido, licenciamento e o resultado financeiro final.

O executivo aproveitou o interesse global por minerais críticos para destacar uma diferença geológica com peso econômico. Hoje, a China domina a tecnologia, o controle e a comercialização das terras raras. Só que o processo chinês começa com a rocha dura, que precisa ser britada e moída até virar uma espécie de “papa”. No Brasil, segundo Carvalho, a natureza adiantou o serviço: o material já ocorre na argila. É uma etapa a menos na cadeia, e uma vantagem competitiva que o país precisa saber aproveitar.

Se o minério é o ativo, o conhecimento sobre ele é o seguro. Carvalho listou o que reduz o risco de um empreendimento: mapeamento geológico bem-feito, levantamentos geofísicos consistentes, sondagem de qualidade e análises confiáveis. “Tudo isso precisa desaguar em um banco de dados e em um modelo que orientem a lavra e o desenvolvimento da mina. Parece óbvio, mas é justamente o passo que não pode ser pulado”, complementou.

Há uma ressalva importante nesse raciocínio. O mapa geológico do território nacional ainda não oferece o grau de detalhe que um empreendimento exige. Carvalho preferiu enxergar a lacuna como oportunidade, já que o terreno a ser conhecido é imenso e quem chegar com boa informação sai na frente.

Janela aberta, disciplina em alta

O cenário externo ajuda. Segundo o executivo, há muitos anos não se via uma conjuntura tão favorável para investir em mineração, impulsionada pela transição energética e pela corrida por terras raras. A bonança de preços, porém, não dispensa rigor. Preços elevados, alertou, não substituem a disciplina de capital.

Para que o país aproveite o momento, ele apontou o caminho: previsibilidade regulatória, licenciamento eficiente, financiamento competitivo e segurança jurídica. O Brasil tem riqueza mineral e riqueza agrícola, mas ainda carece de liquidez voltada especificamente ao setor mineral.

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“ O dinheiro existe, os bens minerais estão valorizados, e a disputa gira em torno de projetos de qualidade, o que depende, por fim, do apetite de quem investe”, avaliou o executivo da Geosol.

Bússola para o investidor

Carvalho fez uma distinção que serve de bússola para o investidor. Todo projeto traz riscos, e os dois grandes gargalos da mineração, o licenciamento e a insegurança jurídica, podem ser atenuados com boas práticas e bom diálogo institucional. “O que nenhuma engenharia financeira resolve é a ausência de minério. Sem depósito, não há projeto”.

Os números mostram o tamanho do desafio de reputação. Em atratividade para capital, o Brasil já ocupou a 53ª posição e hoje aparece na 29ª, avanço expressivo, ainda distante do topo. Na leitura do geólogo, o mercado sabe lidar com exigências ambientais, que entram no cálculo como custo. Aquilo que ele não consegue precificar é a incerteza.

Embora as terras raras dominem manchetes e palestras, a demanda real de exploração mineral conta outra história. O ouro lidera com folga, com 53% do interesse, seguido pelos metais básicos, com 14%. As terras raras vêm logo atrás, com 11%. A fotografia lembra que o entusiasmo com os minerais do futuro convive com o apetite constante pelos metais tradicionais.

Em sua mensagem final, ele disse que a passo-passo para atrair o investidor segue o mesmo: conhecer bem o solo, organizar a informação, respeitar o capital e oferecer regras claras. É dessa soma que, segundo ele, nasce a ponte entre a geologia e o fluxo de caixa.

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