Prevenção à fraude se transforma no motor do embedded finance no Brasil
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 3 de setembro de 2026
Empresas não financeiras investem em verificação em múltiplas camadas para proteger o valor sob sua guarda sem causar fricção na jornada dos clientes
O uso de uma infraestrutura inteligente na prevenção de fraudes passou a ser um elemento central para o desenvolvimento do embedded finance no Brasil, modelo onde serviços financeiros são agregados ao pacote de soluções de empresas que originalmente não são do setor financeiro.
Muito mais do que oferecer novos produtos, o diferencial está em promover uma experiência completa dentro das plataformas, conectando serviços como pagamentos, carteira digital, Pix e crédito à jornada do cliente. Durante o Febraban Tech 2026, especialistas em combate à fraude debateram como expandir essa oferta, já que serviços como cashback e pontos acumulados em programas de benefícios ganharam status financeiro e, hoje, fazem parte da renda de muitas famílias brasileiras.
Diretor da BRQ, Bruno Dinato destaca que o ganho para os negócios com o embedded finance vem acompanhado de exigências técnicas, com verificação em múltiplas camadas para a identificação eficiente e legítima de cada usuário. “É fundamental trabalhar com soluções de KYC ( know your customer ), validação de identidade, além de garantir que nenhum dado vaze no tráfego das APIs “, afirma.
A verificação em múltiplas camadas, explica o executivo, precisa se estender também às integrações que conectam a plataforma não financeira aos parceiros regulados, ponto em que o dado circula com maior exposição. Criptografia, controle de acesso e o envio apenas das informações necessárias em cada chamada reduzem a superfície de risco sem tornar a jornada mais lenta para o cliente.
Nesse contexto, o especialista explica ainda que o incentivo do órgão regulador para habilitar a infraestrutura financeira para além das instituições do setor permitiu o surgimento de modelos como banking as a service ( BaaS ). “Toda a evolução regulatória que o Brasil teve permitiu que negócios não financeiros se beneficiassem de funcionalidades que eram majoritariamente financeiras, sem o investimento pesado de construir e manter uma instituição”, diz Dinato.
Com esse arranjo, a empresa não financeira se apoia na licença de uma instituição autorizada pelo Banco Central, que responde pela governança e pelo enquadramento regulatório da operação. O custo de entrada cai de forma expressiva, já que constituir e manter uma instituição própria envolve capital mínimo, estrutura de compliance e obrigações contínuas de reporte, enquanto a integração via BaaS concentra o esforço no desenho do produto e na jornada do cliente.
Proteção necessária
Divulgado em agosto, estudo inédito da Livelo mostra que 87% dos usuários consideram a quantidade de pontos acumulados tão real quanto o saldo da conta corrente, 85% identificam como patrimônio e 72% julgam como reserva de emergência. Além disso, 52% afirmam que jornadas complexas geram desânimo e metade dos entrevistados alega que usar pontos exige esforço.
Incorporado ao orçamento familiar, esse recurso ganha relevância dobrada ao ser comparado e, até mesmo, convertido em dinheiro. Consequentemente, com mais valor sob sua responsabilidade, varejistas, plataformas de benefícios corporativos, delivery, programas de fidelidade, marketplaces e diversas outras empresas não financeiras investem em infraestrutura de validação de identidade para agregar serviços bancários específicos com segurança, eficiência, transparência, conformidade e sem deixar de lado a sua atividade principal.
“As tentativas de fraude fazem parte da realidade de um mercado cada vez mais digital e exigem que as empresas evoluam continuamente suas estratégias de proteção. É aí que precisamos pensar em como tornar o ambiente mais seguro, especialmente nessa era de IA, combinando tecnologia e soluções capazes de proteger os nossos clientes”, afirma Regis Marcondes, Head de Prevenção a Fraudes na Edenred, ecossistema de serviços e pagamentos corporativos que conecta empresas, trabalhadores e parceiros.
Diferenciais e desafios
Além de gerar novas receitas, o embedded finance atua como um diferencial competitivo, principalmente, em setores com elevada concorrência. Ao aproximar as marcas dos consumidores, o modelo permite a oferta de uma experiência mais completa para o cliente, aumentando também a recorrência.
A complexidade, porém, está exatamente em conseguir essa sinergia com segurança e sem causar fricção em modelos de negócios que, em sua origem, não foram desenhados para atuar como instituições financeiras. Dessa forma, qualquer ruído em um novo processo pode prejudicar até mesmo a atividade principal que alavancou a empresa.
Diferente de uma conta bancária individual, os benefícios corporativos muitas vezes são um produto de uso familiar e diário. Isso significa que as soluções de verificação de identidade em múltiplas camadas precisam atuar de forma integrada e personalizada, garantindo análises em tempo real mais contextualizadas.
Nesse contexto de integração, os mais de 4 milhões de trabalhadores na base da VR que acessam o SuperApp, em média 22 vezes por mês, dispõem de 72 soluções com diferentes camadas de proteção para garantir a segurança das operações sem comprometer a experiência. Com quase 50 anos de história, a VR também disponibiliza mais de 100 funcionalidades para empregadores, por meio do SuperPortal, com recursos de monitoramento para benefícios, mobilidade, gestão de pessoas e serviços financeiros.
“Em uma operação com essa escala e com diferentes serviços integrados, mitigar riscos significa proteger o trabalhador e o empregador, sem criar barreiras desnecessárias em suas jornadas. Combinamos tecnologia e diferentes mecanismos de validação para identificar comportamentos suspeitos e, ao mesmo tempo, manter uma experiência fluida e segura para quem utiliza nossas soluções”, afirma Lygia Barbosa, executiva de Prevenção a Fraudes da VR, que integrou o painel sobre identidade digital na Febraban Tech.
Como complemento, o diretor de Marketing da Livelo, Henrique Duda, destaca a importância de trabalhar a simplificação de processos. “O cliente faz cadastro com validação de e-mail, telefone e biometria. Transações de alto valor passam por regras mais rígidas, incluindo consulta a birôs, validação de dispositivo e localização”, detalha Duda.
De acordo com Carlos Eduardo Merlin, CRO da Certta, hub de verificação inteligente, a própria edição da Febraban Tech deste ano mostrou como interoperabilidade e infraestrutura caminham juntas. “Quando a verificação de identidade é bem construída, ela deixa de ser uma barreira e passa a ser o que permite ao negócio crescer com segurança, assim novos casos de uso vão surgindo para benefício do próprio consumidor, e a nossa função é dar velocidade a isso sem abrir mão da proteção”, conclui.
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