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Elmar Varjão detalha como planejar obras de varejo em que o prazo define o faturamento
Por SAFTEC DIGITAL

Elmar Varjão detalha como planejar obras de varejo em que o prazo define o faturamento

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 28 de outubro de 2026

Atacarejos, centros de distribuição e reformas com a loja aberta exigem soluções próprias de engenharia, do piso industrial ao cronograma.

De acordo com Elmar Varjão, CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, poucos segmentos refletem tão bem a relação entre prazo e resultado quanto o varejo. A percepção vem de uma trajetória que acompanhou a transição da engenharia do grupo, originalmente voltada a operações de varejo e atacarejo, para obras especiais e projetos de maior complexidade técnica.

Em uma obra comercial, a data de entrega não é apenas um marco do contrato. Ela está amarrada à contratação de funcionários, chegada de estoque, campanhas de inauguração e metas de faturamento do cliente. O efeito prático disso é que a engenharia aplicada ao varejo e à logística opera com uma margem de tolerância bem menor do que a de outros segmentos e exige soluções próprias desde o projeto.

Data de inauguração é compromisso comercial

Imagine um atacarejo com inauguração anunciada, equipe contratada e mercadoria a caminho. Uma semana de atraso significa salários pagos sem venda, estoque parado e campanha de marketing desperdiçada. Em uma obra pública, o atraso também gera custos, mas eles costumam se diluir ao longo do tempo. No varejo, aparecem no caixa do cliente no mesmo mês.

Tendo em vista essa pressão, o planejamento de obras comerciais trabalha de trás para frente. A data de abertura é fixa, e todas as atividades são sequenciadas a partir dela, com folgas concentradas nas etapas mais sujeitas a imprevistos, como fundações e cobertura. Conforme explica Elmar Varjão, a capacidade de execução nesse tipo de empreendimento depende de cronograma realista e de decisões rápidas quando algo sai do previsto.

Grandes vãos e pisos que precisam trabalhar

Atacarejos e centros de distribuição têm exigências técnicas que os diferenciam de edificações convencionais. Grandes vãos livres, necessários para circulação de empilhadeiras e organização de gôndolas e porta-paletes, costumam ser vencidos com estruturas metálicas ou pré-moldados de concreto, soluções que aceleram a montagem e reduzem a quantidade de serviço no canteiro.

Em complemento, o piso industrial merece atenção especial. Ele precisa suportar cargas concentradas, resistir ao tráfego constante de equipamentos e manter planicidade rigorosa, sob pena de comprometer a operação logística por anos. Um erro nessa etapa não se corrige com acabamento: exige demolição e nova execução.

A isso se soma a infraestrutura de docas, pátios de manobra e instalações de refrigeração, que precisam conversar com o fluxo operacional definido pelo cliente. Uma doca na altura errada ou um pátio sem raio de giro suficiente para carretas obriga a operação a se adaptar à obra, quando deveria ser o contrário.

Reformar com a loja aberta é outra engenharia

Entretanto, nem toda obra de varejo começa do zero. Ampliações, modernizações e adequações de lojas em funcionamento são frequentes e trazem um desafio adicional: executar sem interromper a venda. Na ótica de Elmar Varjão, esse tipo de intervenção exige que a obra se adapte por completo à rotina do cliente.

No plano operacional, isso significa trabalho noturno, faseamento por setores da loja, isolamento rigoroso das frentes de serviço e controle de ruído e poeira. A segurança do trabalho ganha uma camada extra, porque envolve também clientes e funcionários do estabelecimento circulando ao redor da obra.

Do ponto de vista do planejamento, cada fase precisa terminar com a área entregue em condição de uso, limpa e liberada pelas equipes de segurança, antes que a seguinte comece. Esse encadeamento exige coordenação diária com a gerência da loja e flexibilidade para remanejar frentes quando o movimento de clientes muda.

Eficiência que começa no projeto e termina na operação

Em contrapartida à pressão por prazo, redes varejistas oferecem uma vantagem pouco explorada: a repetição. Lojas de uma mesma bandeira seguem padrões semelhantes, o que permite aplicar engenharia de valor, padronizar soluções e aprender de uma obra para a seguinte, reduzindo custo e prazo a cada nova unidade.

Percorrido esse caminho, nota-se que a obra de varejo é uma escola de eficiência operacional. A disciplina de cronograma, a integração com a operação do cliente e a busca por soluções construtivas rápidas, como contextualiza Elmar Varjão, são competências que se transferem para projetos de infraestrutura e obras especiais, em que o prazo também define o sucesso do empreendimento.

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