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Com juros em queda, Pedro Daniel Magalhães vê seletividade redefinir o mercado de fusões e aquisições no Brasil
Por SAFTEC DIGITAL

Com juros em queda, Pedro Daniel Magalhães vê seletividade redefinir o mercado de fusões e aquisições no Brasil

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 17 de julho de 2026

O mercado brasileiro de M&A fechou o ano em alta, mas com um padrão diferente do habitual: menos negócios fechados, porém de valor bem maior cada um.

O mercado brasileiro de fusões e aquisições vive um momento peculiar: o número de operações vem caindo, mas o valor total negociado segue crescendo. Para quem acompanha o setor de fora, o cenário parece contraditório. Para Pedro Daniel Magalhães, executivo com atuação em crédito estruturado e gestão corporativa, ele revela justamente uma mudança de comportamento entre compradores.

Energia lidera um mercado que ficou mais concentrado

Dentro desse universo de operações, o setor de energia e renováveis se consolidou como o principal motor do mercado nacional de M&A, respondendo por mais da metade do valor movimentado no país recentemente. Pedro Daniel Magalhães observa que esse protagonismo reflete tanto a transição energética em curso no país quanto o apetite de fundos internacionais por ativos de infraestrutura com fluxo de caixa previsível no longo prazo.

Menos negócios, cheques bem maiores

O início deste ano aprofundou um padrão que já vinha se desenhando: menos operações fechadas, mas com valor médio significativamente mais alto. Para Pedro Magalhães, esse descolamento entre quantidade e valor não é acidental: reflete uma mudança de comportamento entre investidores, que passaram a priorizar operações maiores e mais estratégicas, em detrimento de negócios menores e mais oportunistas que caracterizavam ciclos anteriores do mercado.

Compradores mais seletivos, due diligences mais rigorosas

O aumento no valor médio das operações também está associado a um processo de análise mais criterioso por parte dos compradores. Fundos de private equity e venture capital ampliaram sua participação nas transações brasileiras, concentrando capital em negócios com racional estratégico mais claro e estruturas societárias mais organizadas.

O executivo pondera que esse movimento eleva a régua para empresas que pretendem se posicionar como alvo de aquisição: governança estruturada, dados financeiros organizados e histórico de resultados consistente deixaram de ser diferencial e passaram a ser pré-requisito para atrair compradores mais exigentes.

O que essa seletividade sinaliza para quem pensa em vender ou comprar?

Com a Selic em trajetória de queda gradual, parte do mercado já projeta redução no custo de capital dos compradores, o que tende a viabilizar operações que antes eram economicamente inviáveis.

Na leitura de Pedro Daniel Magalhães, essa combinação entre juros em queda e maior seletividade dos investidores deve favorecer empresas que já chegam ao processo de negociação com organização financeira e societária consolidada, enquanto negócios mal preparados tendem a encontrar um mercado mais exigente do que em ciclos anteriores de expansão do M&A brasileiro.

Essa mudança de postura também se reflete na duração dos processos de negociação, que tendem a se alongar à medida que compradores aprofundam etapas de due diligence antes de fechar qualquer operação. Para empresários que avaliam vender parte ou a totalidade de seu negócio, isso significa que o momento de iniciar a preparação para uma eventual venda precisa anteceder em meses, e não semanas, o início de conversas efetivas com potenciais compradores.

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