ESG deixa de ser tendência e passa a ser diferencial competitivo na engenharia, avalia Jorge Henrique Marques Valença
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 12 de agosto de 2026
Especialista destaca que sustentabilidade, eficiência energética e responsabilidade socioambiental ganham espaço desde a concepção até a entrega dos empreendimentos
A incorporação de práticas ambientais, sociais e de governança deixou de ser apenas uma iniciativa voltada à sustentabilidade para assumir um papel estratégico na engenharia. Em um cenário marcado por exigências regulatórias, investidores mais atentos e clientes que valorizam empreendimentos responsáveis, o ESG, sigla para Environmental, Social and Governance, tornou-se um fator determinante para a competitividade das empresas que atuam em grandes projetos.
Na prática, essa mudança amplia o conceito tradicional de eficiência. Se antes o desempenho de uma obra era medido principalmente pelo cumprimento de prazos, orçamento e qualidade técnica, hoje também entram na conta aspectos como consumo de recursos naturais, emissão de carbono, gestão de resíduos, impacto social e transparência na condução dos projetos.
Para o engenheiro civil e empresário Jorge Valença, a transformação representa uma evolução natural da própria engenharia. “A engenharia sempre foi uma ciência de otimização. Agora, essa otimização também abrange energia, emissões, resíduos e capital humano. O desafio é alinhar o propósito ambiental com a produtividade industrial, sem perder o foco no resultado”.
O conceito de ESG surgiu oficialmente em 2004, na publicação Who Cares Wins, elaborada pelo Pacto Global da Organização das Nações Unidas em parceria com o Banco Mundial. Desde então, os critérios ambientais, sociais e de governança passaram a orientar decisões de investidores e empresas em diferentes setores da economia, incluindo a construção civil e a infraestrutura.
ESG avança na estratégia das empresas
A adoção dessas práticas vem crescendo no ambiente corporativo brasileiro. Levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em 2022, identificou que 71% das empresas consultadas já incorporaram critérios ESG em suas estratégias de negócio.
Segundo o estudo, os principais motivos para essa adoção incluem o fortalecimento do relacionamento com clientes, colaboradores e demais públicos de interesse, o uso mais sustentável dos recursos naturais e uma gestão mais eficiente dos riscos corporativos. Entre os benefícios percebidos pelas organizações aparecem o fortalecimento da marca, o aumento da competitividade e melhores condições para captação de investimentos.
Na engenharia, Jorge Valença afirma que esses fatores influenciam diretamente o planejamento dos empreendimentos. “Desde a fase de concepção, as decisões técnicas passam a considerar não apenas a viabilidade econômica, mas também os impactos ambientais e sociais ao longo de todo o ciclo de vida da obra”.
Eficiência operacional e sustentabilidade caminham juntas
Jorge Valença destaca que uma das metodologias que mais dialoga com essa nova realidade é o Lean Thinking, modelo de gestão voltado à eliminação de desperdícios e à geração de valor em todas as etapas dos processos produtivos.
“Quando aplicado em conjunto com os princípios do ESG, o Lean permite reduzir desperdícios de materiais, otimizar o consumo de energia, melhorar o aproveitamento dos recursos e minimizar impactos ambientais sem comprometer produtividade ou rentabilidade”, explicou o engenheiro.
Jorge Valença complementa afirmando que essa relação entre eficiência e sustentabilidade é cada vez mais evidente. “Quando reduzimos emissões de CO₂, estamos, na verdade, reduzindo desperdícios e melhorando processos. O carbono é o reflexo da eficiência. Quanto menos emitimos, mais competitivos nos tornamos”.
Segundo Jorge Valença, a descarbonização deve ser encarada como uma decisão técnica e econômica, e não apenas ambiental. “Processos mais eficientes normalmente consomem menos recursos, demandam menos energia e apresentam custos operacionais menores, gerando benefícios que vão além do cumprimento de metas ambientais”.
Indicadores fortalecem a tomada de decisão
Outro aspecto que ganha relevância é a utilização de indicadores capazes de medir resultados ambientais e operacionais. A tradicional máxima da engenharia de que “o que não é medido não é gerenciado” também passou a orientar a implementação das estratégias de ESG.
“Empresas que estabelecem métricas para monitorar consumo de energia, emissões, geração de resíduos, segurança do trabalho e desempenho social conseguem avaliar seus resultados com maior precisão e identificar oportunidades de melhoria contínua”, detalhou Jorge Valença.
Essa mudança também amplia o papel do engenheiro dentro das organizações. Além do domínio técnico, cresce a necessidade de desenvolver competências relacionadas à gestão, governança, inovação e visão sistêmica dos processos.
“Estamos vivendo a consolidação daquilo que chamo de Engenharia da Sustentabilidade Competitiva. É uma abordagem que une design de processos, automação e governança para gerar valor de forma ampla, eficiente e duradoura”, afirma Jorge Valença.
Na avaliação de Jorge Valença, empresas que conseguem integrar esses princípios já observam ganhos concretos, como acesso facilitado a linhas de financiamento voltadas à economia verde, fortalecimento da reputação institucional, maior capacidade de atrair talentos e melhor posicionamento diante de investidores e parceiros de negócios.
Para ele, a adoção do ESG representa uma transformação estrutural na engenharia contemporânea. “Essa nova engenharia não é uma tendência passageira. É o futuro inevitável da competitividade. As empresas que entenderem isso antes das outras sairão na frente, porque reduzirão custos, fortalecendo suas marcas e participando de uma economia global mais responsável”, concluiu Jorge Valença.
Sobre Jorge Henrique Marques Valença
Jorge Henrique Marques Valença é engenheiro civil e empresário, especializado na gestão de grandes obras e desenvolvimento de empreendimentos de alta complexidade. Com mais de 30 anos de experiência, atua como Sócio-Diretor da LUMALI Engenharia, liderando projetos nas áreas de infraestrutura, cultura, mobilidade urbana, edificações especiais e saúde. Ao longo da carreira, participou da implantação de importantes obras públicas no Nordeste e consolidou uma experiência em planejamento executivo e desenvolvimento de negócios.
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