Estadão Blue Studio - Câncer de mama inicial: estudo aponta redução de quase 20% no risco à vida com terapia combinada

Câncer de mama inicial: estudo aponta redução de quase 20% no risco à vida com terapia combinada

Resultados de pesquisa internacional mostram que benefícios do tratamento podem continuar mesmo anos após o fim do uso da medicação

3 de novembro de 2026

Câncer de mama inicial: estudo aponta redução de quase 20% no risco à vida com terapia combinada

Novos resultados de um estudo clínico global, chamado NATALLE, trazem perspectivas importantes para o tratamento do câncer de mama.

Vale lembrar que a medicina ainda não é capaz de curar o câncer após o surgimento de metástases, por isso, o tratamento nessa fase inicial representa a principal janela de oportunidade para aumentar as chances de cura.

Para pacientes com maior risco de recidiva, essa possibilidade pode continuar sendo uma preocupação mesmo depois do fim da terapia.

O estudo clínico de fase III, que contou com a participação do Brasil, mostrou uma redução relativa de 19,1% no risco de morrer entre pacientes com câncer de mama inicial do subtipo receptor hormonal positivo e HER2-negativo, conhecido como HR+/HER2-, em estágios II e III e com alto risco de recidiva, que receberam um medicamento da classe dos inibidores de CDK4/6 associado à hormonioterapia.

Esses medicamentos atuam bloqueando proteínas que ajudam as células cancerígenas a se multiplicarem. O resultado foi observado na comparação com pacientes tratadas apenas com hormonioterapia.¹

Os dados, que foram apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) de 2026, realizado em Madri, na Espanha, reúnem seis anos de acompanhamento das participantes.

Um dos aspectos mais importantes é que o benefício não ficou restrito ao período de uso do medicamento. Isto é, mesmo depois do término dessa etapa do tratamento, a diferença nos resultados entre os grupos continuou aumentando.

Dados da pesquisa

O NATALEE acompanhou 5.101 pacientes adultos em 20 países, incluindo o Brasil. Trata-se de um estudo de fase III, multicêntrico, randomizado e aberto, que avaliou um medicamento que atua sobre proteínas envolvidas na multiplicação das células cancerígenas, em combinação com a hormonioterapia.

A pesquisa foi realizada com pacientes com o subtipo mais comum de câncer de mama, HR+/HER2-. Dentre as participantes, havia tanto aquelas com comprometimento dos linfonodos quanto as sem esse comprometimento, desde que apresentassem características associadas a um risco elevado de retorno do câncer.

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