Estadão Blue Studio - Doenças raras mostram que o sistema imune também pode adoecer por excesso

Doenças raras mostram que o sistema imune também pode adoecer por excesso

Erros no funcionamento do sistema imunológico estão por trás de doenças raras que provocam infecções recorrentes, alergias severas e doenças autoimunes

19 de junho de 2026

Doenças raras mostram que o sistema imune também pode adoecer por excesso

A ideia de que ter a “imunidade alta” é sinônimo de saúde parece intuitiva, além de ser frequentemente reforçada por promessas de suplementos, vitaminas e fórmulas milagrosas.

Na prática clínica, porém, a lógica é outra. Em muitas doenças raras imunológicas, o problema não está em um sistema de defesa “fraco” ou “forte”, mas em um mecanismo que perdeu sua capacidade de equilíbrio.

Esse desajuste pode fazer o organismo responder “menos”, abrindo espaço para infecções graves e recorrentes, ou responder “demais”, desencadeando alergias severas, inflamações persistentes e doenças autoimunes.

Em alguns casos, os dois fenômenos acontecem ao mesmo tempo no mesmo paciente – uma combinação que desafia diagnósticos, tratamentos e a própria compreensão tradicional sobre imunidade.

Na prática, isso significa conviver com internações frequentes, uso contínuo de medicamentos e limitações importantes na vida escolar, profissional e social. Dependendo da gravidade da doença, infecções sucessivas, crises inflamatórias e a necessidade constante de acompanhamento médico passam a fazer parte da rotina de muitas famílias.

O desafio de reconhecer doenças raras

Apesar dos avanços científicos, o diagnóstico dessas condições ainda costuma levar anos. Como acontece com grande parte das doenças raras, os sintomas iniciais frequentemente se confundem com problemas mais comuns, fazendo com que pacientes passem por diversos especialistas antes de chegar a uma resposta.

Entre os principais sinais de alerta estão infecções de repetição, quadros graves ou incomuns, além de manifestações autoimunes precoces e de difícil controle. Infecções que não melhoram mesmo após tratamentos sucessivos também merecem atenção.

Marcelo Aun destaca que o reconhecimento depende da suspeita clínica. Segundo ele, há três grupos principais de alertas infecciosos: aumento da frequência das infecções, quadros excessivamente graves e infecções atípicas – seja pelo microrganismo envolvido, seja pelo local afetado.

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