‘IA vai encurtar caminhos, antecipando diagnósticos e barateando a oncologia’ Victor Piana de Andrade, diretor-geral do AC Camargo Cancer Center, crê também que IA não deve afetar empregos na área da saúde.
17 de abril de 2025
Descobrir novos caminhos contra o câncer é uma das grandes batalhas da humanidade nas últimas décadas. A cada nova tecnologia, novas esperanças surgem para as pessoas – e com a inteligência artificial (IA) não é diferente. Mas, a despeito da velocidade com que a inovação acontece, o setor de saúde precisa ser prudente, defende Victor Piana de Andrade, diretor-geral do AC Camargo Cancer Center. “Lidamos com vidas, e toda tecnologia nova precisa ser validada antes de ser colocada em prática”, diz o executivo. Na entrevista a seguir, ele conta como a instituição está se estruturando para utilizar de maneira mais eficaz as novas tecnologias.
A saúde precisa de muita tecnologia para resolver gargalos, mas ela é, por natureza, um setor conservador. Não é à toa: lidamos com vidas, de maneira que toda tecnologia nova precisa ser validada antes de ser colocada em prática. Por isso, o setor de saúde vem observando outros setores e entendendo quais são os territórios mais seguros para começar o uso. Antes de querer que a IA tome decisões pelos médicos, há uma série de aspectos em que ela pode apoiar os profissionais de saúde.
O primeiro é a segurança do paciente. É um dilema clássico da saúde: hoje, bilhões são gastos e milhões de mortes acontecem pela insegurança dos cuidados. Se pudermos antecipar os riscos, minimizando-os para cada indivíduo, será muito bom. O segundo aspecto é usar IA para remover tarefas simples e repetitivas dos profissionais de saúde, melhorando suas condições de trabalho. E o terceiro aspecto envolve o fato de que o sistema de saúde está estruturado com uma burocracia enorme por detrás das cortinas, e temos um território enorme de oportunidades para redução de trabalho.
Hoje, os dados estão fragmentados dentro do hospital em vários sistemas e várias dimensões. A dimensão clínica, por exemplo, entende a linha do tempo do paciente. Outra é a dimensão do uso da infraestrutura e das tecnologias do hospital, demandadas pelo paciente em uma determinada linha de cuidado. E a terceira é a financeira, entendendo o custo do uso da infraestrutura. Estruturar essa massa de dados é o nosso esforço de 2025. Com essa base pronta, teremos o desafio de aproveitar o melhor da tecnologia, usando a IA para encurtar caminhos, antecipando diagnósticos e barateando a oncologia. Nos últimos anos, a área avançou enormemente, com remédios cada vez melhores, mas eles estão ficando impagáveis. O grande tema da oncologia hoje é encontrar formas de esse medicamento estar ao acesso de todos.
A cada quatro semanas em que se antecipa um tratamento, aumenta em 10% a chance de sobrevida, além de reduzir os custos. É importante ainda antecipar diagnósticos, criando uma régua de riscos para as pessoas baseada em hábitos de vida, histórico familiar e até caracterização genética. Isso pode trazer um benefício absurdo, considerando que existem tumores até 5.000% mais caros de serem tratados no estágio avançado.
Teremos 100 milhões de idosos em 30 anos, invertendo a pirâmide etária brasileira numa velocidade incrível, o que vai gerar nos idosos uma grande carga de doenças. Por isso, vamos precisar de mais profissionais de saúde do que temos hoje – e hoje o setor já está sobrecarregado. Vejo que a IA pode resolver um enorme dilema que parece não ter solução. É rasa a discussão de substituição de profissionais, porque hoje já não temos os profissionais dos quais precisamos. Não vai faltar emprego na saúde, mas os empregos serão diferentes, e será preciso fazer adaptações.
Espero que a gente consiga dizer que eliminou do dia a dia do hospital alguns eventos adversos, subindo a régua de confiança do paciente. Gostaria também de ver os profissionais de saúde com bem-estar em sua profissão, sem correria ou necessidade de fazer tudo ao mesmo tempo. Torço para que a IA ajude a deixar os pacientes mais bem informados, maximizando a chance de sobrevida. Além disso, espero que a IA nos ajude a remover a burocracia do sistema de saúde. Nos últimos anos, a ciência nos fez avançar muito na tecnologia, mas tornou a saúde impagável. Com IA, é a primeira vez que tenho esperança de que uma nova tecnologia possa reduzir os custos da saúde.
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A Série de Entrevista: “IA nos Negócios” é um espaço para convidados compartilharem suas visões, experiências e inspirações com o mercado. As informações e opiniões formadas neste artigo são de responsabilidade única do autor. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão.
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