Inovação em saúde esbarra na falta de previsibilidade no Brasil

Segundo especialistas e empresas de saúde, entraves regulatórios e jurídicos afetam investimentos de longo prazo, pesquisas clínicas e o acesso dos pacientes a novos tratamentos

24 de fevereiro de 2026

Inovação em saúde esbarra na falta de previsibilidade no Brasil

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, presente no Brasil há décadas, avalia que a discussão sobre previsibilidade regulatória extrapola o setor farmacêutico e atinge todo o ecossistema de produção científica nacional.

O tema tem ganhado espaço no debate público e no setor de saúde, à medida que empresas com atuação global avaliam o ambiente brasileiro para investimentos de longo prazo em ciência.

Leonardo Bia, vice-presidente de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da Novo Nordisk Brasil, diz que a inovação só prospera quando encontra um ambiente institucional sólido.

“A inovação depende de um ecossistema que permita que ela floresça. Isso só acontece quando há previsibilidade e segurança em todas as etapas, tanto legislativas quanto jurídicas.”

O executivo afirma que o reconhecimento do Brasil como um ambiente confiável para investimento é decisivo para que projetos de pesquisa avancem.Essa segurança, explica, não é abstrata.

“Quando eu recebo um novo tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) ou consigo acessar um medicamento em uma farmácia, esse impacto positivo na qualidade de vida é resultado de decisões tomadas 15 ou 20 anos atrás, quando uma empresa acreditou na inovação no Brasil”, diz.

Segundo ele, o processo começa na pesquisa clínica, passa por diversas etapas regulatórias e só se concretiza quando há proteção e estabilidade suficientes para sustentar o investimento.

Do laboratório ao cuidado

Do ponto de vista clínico, o impacto da falta de previsibilidade é ainda mais evidente. Priscilla Mattar, vice-presidente da Área Médica da Novo Nordisk Brasil, explica que desenvolver um medicamento é um processo longo, complexo e de alto risco. “De mais de 10 mil compostos com potencial terapêutico, apenas um atende a todos os critérios de eficácia e segurança”, afirma.

Segundo ela, a pesquisa clínica em humanos dura cerca de dez anos, e o caminho completo até que o medicamento chegue ao paciente pode levar até 15 anos. “É um processo que exige rigor absoluto, porque não podemos expor a população a riscos”, diz.

Clique aqui para ler a matéria completa, produzida pelo Estadão Blue Studio, com patrocínio de Novo Nordisk.