‘Usamos dados de várias fontes, até mesmo de um papel de pão’ Prestes a completar 160 anos, multinacional aposta na inteligência artificial para ganhar eficiência e mira cadeia de suprimentos
21 de maio de 2025
Da água ao café, passando pelo chocolate, pelo sorvete e pela bolacha, é praticamente impossível visitar um supermercado no Brasil sem ver algum produto da Nestlé. Prestes a completar 160 anos, a multinacional suíça é uma potência no universo da alimentação. Mas, para fazer seus produtos chegarem na quantidade, no formato e no frescor certos até o consumidor, há um enorme trabalho – que é cada vez mais pautado pelo uso de dados e inteligência artificial, desenvolvidos dentro de casa.
Um bom exemplo, conta o diretor de Data Science e Analytics Brunno Ragonha, é uma plataforma que ajudou a empresa em 2024 a reduzir em 35% a ruptura de estoque do varejo. “É uma relação ganha-ganha, que ajuda a Nestlé e o cliente a serem mais eficientes, e traz satisfação para o consumidor. É um círculo virtuoso que começa nos dados”, diz.
O uso de IA, porém, não fica apenas no ganho de eficiência: é também um tema que auxilia a companhia em esforços de sustentabilidade – assunto importante para quem tem a cultura de produtos como café e cacau como base de seus negócios. “A IA tem um impacto ambiental, mas hoje ela está a serviço de uma transição regenerativa mais impactante em termos da pegada de carbono”, destaca Barbara Sapunar, diretora executiva de Business Transformation.
Brunno: Primeiro, ela surge nas áreas, que buscam ser mais eficientes. Em 2019, percebemos que precisávamos ganhar escala e expertise – e, para isso, criamos uma área central de ciência de dados e análises. Ela traz expertises para potencializar as áreas de negócio, permitindo que a empresa alavanque novas soluções. Quem está em vendas ou em supply chain, falar só de IA não diz muita coisa. Mas ao atrelar a tecnologia com um benefício para uma função, o valor daquela inovação fica evidente e passa a engajar as pessoas.
Barbara: É importante entender que essa transformação não acontece sozinha a partir da área de dados. É uma área que precisa estar muito próxima do negócio. Hoje, esse time de experts trabalha de maneira descentralizada, entendendo as dores e os desafios de cada unidade. Por outro lado, cada área começa a gerar capacidades e produtos diferentes, modulares como peças de Lego. Hoje, não só temos muitas peças de Lego, como essas peças nos ajudam a construir algo maior e mais rapidamente.
Brunno: Uma das nossas premissas básicas é que o consumidor possa encontrar nossos produtos quando quiser, onde quiser, na quantidade, no formato e no frescor esperados e desejados. É uma batalha do nosso dia a dia. Existe um desafio enorme em conhecer cada cliente, saber seus padrões de venda e descobrir quais produtos giram ali e como esse giro acontece. Em 2024, ela nos ajudou a reduzir em 35% o nível de ruptura nos clientes. É uma relação ganha-ganha: isso ajuda a Nestlé e o cliente a serem mais eficientes, além de trazer satisfação para o consumidor. É um círculo virtuoso. Mas, para que ela dê certo, usamos dados de várias fontes – até mesmo se vier de um papel de pão, nós damos um jeito de tratar o dado internamente.
Barbara: Esse é um ponto importante. Muito se fala do hype da inteligência artificial, mas ninguém fala da gasolina dessa tecnologia: os dados. É fácil dizer que se quer surfar a onda de IA, mas antes é preciso fazer um trabalho fundacional enorme. É um esforço oculto, mas fundamental para aproveitarmos os benefícios que essa tecnologia pode trazer.
Barbara: Quando olhamos o nosso desafio de sustentabilidade, 70% da nossa pegada hoje vem da produção dos alimentos e da cadeia de suprimentos em ingredientes como café, cacau e leite. É onde estamos focando nossos esforços. Para melhorar nosso impacto, apostamos tanto na agricultura regenerativa quanto no aumento da eficiência da cadeia de suprimentos. Para 2025, nossa meta era ter 30% dos ingredientes vindos de produção com prática regenerativa – e já estamos bem além disso. A tecnologia pode nos ajudar a acelerar a adoção de certas práticas. É importante salientar que a IA, sim, tem um impacto ambiental, mas nós já conseguimos fazer a transição das matrizes energéticas da nossa produção.
Barbara: Dois anos trazem muitas transformações quando o assunto é tecnologia. Se ela for a única variável, imagino que seguiríamos numa direção de hiperpersonalização de mixes de produto, considerando canais, regiões e preferências pessoais. Mas o desafio da tecnologia não passa só pelo desenvolvimento técnico, mas por processos e pessoas. Nesse futuro próximo, espero que a Nestlé consiga ter uma musculatura digital, a partir da adoção das ferramentas que já temos agora, para conseguirmos acelerar e gerar ainda mais valor. Quero imaginar uma empresa que segue com o ímpeto de testar soluções para o negócio, mas que ao mesmo tempo fortalece as soluções que já se provaram valiosas. E isso passa não só pela tecnologia, mas também pelos processos e, sobretudo, pelo cuidado que teremos com os talentos internos da companhia.
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A Série de Entrevista: “IA nos Negócios” é um espaço para convidados compartilharem suas visões, experiências e inspirações com o mercado. As informações e opiniões formadas neste artigo são de responsabilidade única do autor. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão.
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