Com IA da Pax, polícias de quatro estados já esclareceram 7 mil casos
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 6 de novembro de 2026
Startup brasileira passou de 10 para mais de 200 cidades em 2026; plataforma cruza em segundos informações que o Estado já tem, e a decisão continua com o policial
As polícias de Goiás, Paraná, São Paulo e Ceará já esclareceram mais de 7 mil casos com apoio da plataforma de inteligência artificial desenvolvida pela Pax, empresa brasileira de inteligência artificial para segurança pública. Esses casos somam 4,7 mil prisões e 2,1 mil veículos recuperados, segundo levantamento da empresa com dados de outubro. A maior parte envolve furto e roubo de veículos, mas também há casos de tráfico de drogas, homicídio e violência contra a mulher.
A marca chega num ano de rápida expansão. No início de 2026 a tecnologia estava em 10 cidades, e em setembro já passava de 200. A empresa foi fundada em 2024 como Paladium e adotou a marca Pax em março. Em maio, divulgou uma rodada seed de US$ 40 milhões com os fundos americanos Benchmark e Greenoaks, uma das maiores da América Latina nesse estágio. Hoje tem 70 engenheiros, e 40% deles vieram das grandes empresas de inteligência artificial da Califórnia.
Os números por estado
Em Goiás, a polícia esclareceu mais de 3 mil casos com auxílio da plataforma, no programa IA Contra o Crime. Foram mais de mil prisões e mais de mil veículos recuperados, segundo balanço do governo estadual divulgado em outubro. O programa usa tecnologia desenvolvida pela Gotech em parceria com a Pax. Depois de um piloto em 2025, foi lançado oficialmente em janeiro de 2026 e já chegou a 194 municípios. A meta do estado é atender os 246.
Um estudo da consultoria econômica LCA comparou o programa goiano ao Smart Sampa, sistema de videomonitoramento com reconhecimento facial e de placas da capital paulista. Por câmera, o IA Contra o Crime foi pelo menos 38 vezes mais eficiente na localização de foragidos, 69 vezes nos flagrantes e 435 vezes na recuperação de veículos.
No Paraná, a plataforma de IA das forças de segurança é da Secretaria da Segurança Pública (Sesp). Ela foi desenvolvida numa parceria da Celepar com o Google e a Pax e lançada em dezembro de 2025. Até agosto, as polícias Civil e Militar haviam esclarecido 1,9 mil casos com apoio dela, com 1,3 mil prisões e quase 600 veículos recuperados, segundo o último balanço da Sesp.
Em São Paulo, a tecnologia está em piloto em Bauru desde outubro de 2025, dentro do programa estadual Muralha Paulista. No estado, as polícias registraram com apoio da plataforma quase 400 casos, quase 300 prisões e mais de 80 veículos recuperados, segundo a empresa. No Ceará, a tecnologia está em teste desde julho por um acordo de cooperação técnica com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Em Fortaleza, as forças de segurança esclareceram 292 crimes com apoio da plataforma entre 17 de agosto e 17 de outubro.
O que muda na rotina policial
“O policial sempre teve a experiência e o conhecimento necessários para investigar. O que faltava eram ferramentas capazes de analisar, em segundos, um volume de informações que levaria dias para ser processado”, afirma David Peixoto, CEO e fundador da Pax.
Boletins de ocorrência, bases criminais, mandados, registros de veículos e imagens de câmeras ficam em sistemas diferentes. Com a plataforma, o policial descreve o que procura em linguagem natural, como um investigador experiente buscaria: a cor de uma camisa, um adesivo no vidro, um amassado no carro. Muitas vezes esse é o único detalhe de que a vítima ou a testemunha se lembra. A IA cruza as bases e apresenta possíveis conexões, como um veículo cuja placa ninguém anotou, o trajeto que ele fez ou uma placa clonada. Quem confirma, descarta e decide é o policial.
Em Goiânia, criminosos entraram numa joalheria pelo sistema de ar-condicionado e, na fuga, trocaram de roupa e de veículo mais de uma vez. As informações iniciais eram poucas: uma descrição física e uma picape branca. Com apoio da plataforma, os policiais reconstruíram cerca de 2 km do trajeto de fuga, ligaram os deslocamentos e prenderam três suspeitos no mesmo dia.
Os dados ficam no Brasil, sob custódia e controle do poder público. A Pax não é dona dos dados nem tem acesso livre a eles. Toda consulta fica registrada, e só profissionais de segurança pública credenciados têm acesso.
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