Yuri Silva Portela: Sono na terceira idade muda, mas nem toda alteração deve ser atribuída ao envelhecimento
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 24 de agosto de 2026
Acordar às quatro da manhã, sem motivo aparente, e não conseguir voltar a dormir é motivo de preocupação para muita gente, que nota essa mudança repentina em sua rotina. O problema surge quando essa alteração se torna constante. Ela começa a comprometer a disposição durante o dia inteiro. Não se trata apenas de uma noite isolada de sono mais leve.
O padrão de sono muda, sim, de forma previsível com a idade: o sono profundo é diminuído, os despertares noturnos são aumentados em frequência, e o relógio biológico tende a ser adiantado, fazendo com que o sono seja sentido mais cedo à noite e o acordar mais cedo pela manhã seja parte normal desse processo. O problema surge quando essas mudanças deixam de representar uma adaptação e começam a afetar o funcionamento diário da pessoa de maneira perceptível.
Segundo o pós-graduado em geriatria, Doutor Yuri Silva Portela, os profissionais raramente explicam com clareza essa distinção entre adaptação natural e alteração preocupante durante as consultas de rotina, o que leva muitos pacientes a conviver com desconforto desnecessário por anos. A seguir, veja quais sinais merecem atenção redobrada e quando, de fato, vale buscar avaliação especializada.
Sinais de fadiga que vão além da idade exigem atenção especial
O critério mais confiável para diferenciar adaptação de alteração preocupante não é o número de horas dormidas, mas o impacto funcional durante o dia, alude Yuri Silva Portela. Sonolência que atrapalha conversas, cochilos não planejados no meio de uma tarefa e dificuldade real de concentração indicam que o sono noturno não está cumprindo sua função, independentemente de quantas horas a pessoa passou na cama.
A duração também importa: uma semana de sono mais leve após um evento estressante é diferente de um padrão que se repete por meses sem explicação aparente. Roncos muito intensos, pausas respiratórias percebidas por quem dorme ao lado e despertares com sensação de sufocamento reforçam a suspeita de uma causa tratável, como a apneia do sono, e não apenas o avanço natural da idade.
O sono ruim afeta mais do que a disposição
A privação contínua de sono reduz o tempo de reação e o equilíbrio, dois fatores diretamente relacionados ao risco de quedas em casa. Esse efeito costuma passar despercebido, pois ninguém espontaneamente associa um tropeço à noite mal dormida do dia anterior. O desempenho cognitivo também é afetado por esse desgaste acumulado. A memória e a concentração pioram de forma visível depois de noites mal dormidas. Esse efeito se intensifica quando o problema se torna crônico.
Humor e sono se retroalimentam de forma particularmente difícil de perceber. Dormir mal aumenta irritabilidade e propensão a sintomas depressivos. E esse mesmo desgaste emocional dificulta ainda mais adormecer com facilidade na noite seguinte. Dessa forma, fecha-se um ciclo que raramente se resolve sozinho. Doutor Yuri Silva Portela observa que esse ciclo costuma passar despercebido. Isso acontece justamente por não haver um único evento que o desencadeie. O que acontece é apenas o acúmulo silencioso de noites mal dormidas.
Mudanças no sono por várias semanas exigem avaliação especializada
Mudanças que persistem por várias semanas, sonolência diurna significativa ou suspeita de apneia justificam avaliação especializada. Essa avaliação é capaz de diferenciar o que é adaptação natural do que exige intervenção clínica direcionada. Nesse momento, também é importante revisar os medicamentos em uso, já que vários deles interferem diretamente na arquitetura do sono, sem que o paciente perceba a relação.
O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, reforça que o sono na terceira idade não deve ser tratado como uma queixa secundária na consulta médica, mas investigado com a mesma atenção dedicada a outras condições crônicas acompanhadas ao longo dos anos.
Investigar esse aspecto costuma revelar problemas que, quando tratados, melhoram significativamente a qualidade de vida do paciente. O doutor destaca que essa melhora se reflete em disposição, humor e segurança ao longo de todo o dia, muito além do simples fato de dormir mais horas por noite.
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