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Rodrigo Balassiano, da ID CTVM: por que os FIDCs se tornaram protagonistas do crédito privado
Por SAFTEC DIGITAL

Rodrigo Balassiano, da ID CTVM: por que os FIDCs se tornaram protagonistas do crédito privado

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 14 de julho de 2026

Com crescimento das emissões, avanço da regulamentação e maior demanda por alternativas ao crédito bancário, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios consolidam sua posição como um dos principais instrumentos do mercado de capitais brasileiro.

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) deixaram de ser um instrumento restrito a operações específicas para ocupar um espaço estratégico dentro do mercado de crédito privado. Nos últimos anos, o crescimento das emissões, a evolução regulatória e a busca das empresas por novas formas de financiamento fizeram com que esses fundos passassem a desempenhar um papel cada vez mais relevante na conexão entre investidores e economia real.

O movimento acompanha uma transformação mais ampla do mercado de capitais brasileiro. À medida que empresas buscam reduzir a dependência das linhas tradicionais de crédito bancário, cresce a utilização de estruturas capazes de transformar direitos creditórios — como duplicatas, contratos, mensalidades e recebíveis comerciais em ativos negociados no mercado.

Os números refletem essa evolução. Em 2025, os FIDCs registraram captação líquida de R$ 57,6 bilhões, posicionando-se entre as categorias de fundos que mais receberam recursos no país. O desempenho reforça a consolidação do crédito estruturado como uma importante alternativa para financiar empresas de diferentes portes e segmentos.

Segundo Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, o avanço dos FIDCs representa uma mudança estrutural na forma como empresas e investidores se relacionam com o mercado de crédito.

“Durante muitos anos, o financiamento das empresas esteve concentrado no sistema bancário. Hoje, o mercado de capitais oferece instrumentos capazes de conectar empresas e investidores de maneira muito mais eficiente. Os FIDCs são um exemplo claro dessa transformação.”

Empresas diversificam suas fontes de financiamento

A expansão dos FIDCs acompanha um movimento observado em toda a indústria financeira: a diversificação das estruturas de captação de recursos. Empresas passaram a buscar instrumentos mais aderentes às características de seus negócios, enquanto investidores ampliaram o interesse por ativos com potencial de retorno e exposição direta à atividade econômica.

Além de oferecer uma alternativa ao crédito tradicional, os FIDCs permitem estruturar operações compatíveis com diferentes perfis de empresas e setores, tornando o mercado de capitais uma fonte de recursos cada vez mais acessível.

Outro fator que impulsionou esse crescimento foi a modernização do ambiente regulatório. A implementação da Resolução CVM 175 e os aperfeiçoamentos promovidos posteriormente contribuíram para tornar a indústria mais organizada, transparente e preparada para acompanhar a expansão do crédito privado.

“A evolução regulatória trouxe mais segurança para todos os participantes da operação. Isso favorece a estruturação de novos fundos, amplia a confiança dos investidores e cria um ambiente mais eficiente para empresas que desejam acessar o mercado de capitais”, afirma Balassiano.

FIDCs vão além da antecipação de recebíveis

Embora ainda sejam frequentemente associados à antecipação de recebíveis, os FIDCs passaram a atender objetivos muito mais amplos dentro das estratégias financeiras das empresas.

Hoje, companhias dos setores de agronegócio, saúde, educação, tecnologia, infraestrutura, logística, franquias e energia utilizam esses fundos para financiar expansão, reforçar capital de giro, desenvolver novos projetos e otimizar sua estrutura financeira.

Essa evolução também alterou a percepção sobre os próprios recebíveis, que deixaram de representar apenas um fluxo futuro de caixa para se tornarem ativos estratégicos capazes de gerar novas oportunidades de financiamento.

“Os recebíveis passaram a ser vistos como ativos financeiros com enorme potencial de geração de valor. Empresas que estruturam bem suas operações conseguem utilizar esse patrimônio para ampliar investimentos e crescer de forma mais eficiente.”

Próxima etapa será marcada pela qualidade das operações

Com a consolidação dos FIDCs no mercado brasileiro, especialistas avaliam que o crescimento da indústria deverá ser acompanhado por um nível cada vez maior de sofisticação.

Aspectos como governança, qualidade da originação dos créditos, transparência, monitoramento das carteiras e integração entre originadores, gestores, administradores fiduciários e investidores tendem a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.

Para Rodrigo Balassiano, o principal avanço da indústria foi consolidar os FIDCs como um instrumento permanente dentro do mercado de capitais, criando uma alternativa consistente para empresas e investidores.

“Mais do que o crescimento do volume captado, o que chama atenção é a maturidade alcançada por esse mercado. Os FIDCs deixaram de ser um produto de nicho para ocupar uma posição estratégica dentro do crédito privado, contribuindo para ampliar as alternativas de financiamento da economia brasileira e fortalecer o mercado de capitais.”

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